08 agosto 2008

Aberto estão os ouvidos

Vejo.
Nas ruas, cidades, estados,
Tapam os olhos.
O mundo dorme tranquilo
Com seus remédios tarjas pretas.

Falo.
Grito.
Todos amplificam seus próprios ruídos.
Nas pontes, praças, escadarias,
Bêbados reunidos.
O mundo se alegra omisso ao que sempre sonhou.

Ouço.
Abertos estão os ouvidos.
Abertos estão os ouvidos.
Escutem!
É silêncio?
Não há resposta.
Por que o silêncio?
– Aberto estão os ouvidos.

Philippe Wollney

3 comentários:

locandoqualidade disse...

Bingo!


...

Suely

Silêncio Interrompido disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silêncio Interrompido disse...

Su, tô por aqui, meio que desocupado (apesar de coisas pra caralho para fazer), relendo os poemas, tentando revisar algo. e este poema por muito tempo o achei ruim. ainda acho (kkkk) mas, lembrou-me um poema de uma poeta chamada Silvana Menezes. "o poeta enxerga tanto / ao ponto de fazer das palavras / as balas / que de alguma forma ou de outra / jogariam seus miolos / a dez metro de distância"

Philippe Wollney.