Ele, o misericordioso,
ceifa vidas aos milhares
com uma tromba d'água,
enxurrada, peste,
abalo de terra.
Por que sobre minha cabeça
recair a lâmina da sua espada?
sobre os ombros o peso da sua cruz
se eu, ser de ínfimas virtudes,
simplesmente não crer em sua palavra.
José Torres
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05 outubro 2011
27 junho 2011
Interferências
Ao Silêncio Interrompido
Ao clarear de versos
retoma o sobrado a luz
que iluminara a rua
por tantas luas
na varanda os atores são outros
a rastear cânticos do passado
que ainda cortam silêncio
não atenuam-se chagas
dispersas sob sombras
de amontoados de sobras
intentos de textos
que reclamam desfechos
ensaios de uma única obra
entre eles a voz muda
de mortos insólitos
instiga revelarem-se
revelá-los em um tempo
que não mais os pertence
sob a luz tênue abrigam-se
instrumentistas em transe
a traduzir senhas
de versos inertes
que segredam fluxos de almas
reacendem cada palavra
a dotá-las de suas asas
a atirá-las da varanda
sobre a cidade incrédula.
José Torres

acompanhem o poeta no seu espaço: VERSO JORNAL
Ao clarear de versos
retoma o sobrado a luz
que iluminara a rua
por tantas luas
na varanda os atores são outros
a rastear cânticos do passado
que ainda cortam silêncio
não atenuam-se chagas
dispersas sob sombras
de amontoados de sobras
intentos de textos
que reclamam desfechos
ensaios de uma única obra
entre eles a voz muda
de mortos insólitos
instiga revelarem-se
revelá-los em um tempo
que não mais os pertence
sob a luz tênue abrigam-se
instrumentistas em transe
a traduzir senhas
de versos inertes
que segredam fluxos de almas
reacendem cada palavra
a dotá-las de suas asas
a atirá-las da varanda
sobre a cidade incrédula.
José Torres

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19 fevereiro 2010
SOBREVIVENTES
Restam em homens
força bastante
para serem últimos
e esquecidos
e permanecerem vivos
Restam a poucos
débil dignidade
frágeis loucos
e famintos
e tão sórdidos
Restam resquícios
de pobres povos
desarmados e pardos
e encarnados
no meio do mundo
José Torres (verso avesso / 1987)
força bastante
para serem últimos
e esquecidos
e permanecerem vivos
Restam a poucos
débil dignidade
frágeis loucos
e famintos
e tão sórdidos
Restam resquícios
de pobres povos
desarmados e pardos
e encarnados
no meio do mundo
José Torres (verso avesso / 1987)
10 novembro 2009
POEMA DEGOLADO
Posta a pratos limpos
A cabeça decepada
Do poeta eufórico
Do poema ilógico
Por ser carne e chão
Cremado sejam todos
Os escritos as blasfêmias
Espelhos falsos que dizem
Traduzir lama e gritos
Rasga o poeta vivo
Negras vestes do rei
Ele corta e sangra
Não o deixem cantar
Ele corta e sangra
Dizia de cegos e mortos
Aludia lamentações
Quando hipocrisia era prato
Predileto dos reis
Alegoria de iludido povo
Por que amava avesso
Em verso espada
El rei sacramentado
Aos gritos estampidos
Quero o poeta morto
A cabeça do porco
Aos cães danados
Quebrem o verso faca
Façam-no calado
Ponham sobre a mesa
Em bandeja posta
A cabeça submersa
Para que sirva de exemplo.
José Torres (Verso Avesso/1987)
A cabeça decepada
Do poeta eufórico
Do poema ilógico
Por ser carne e chão
Cremado sejam todos
Os escritos as blasfêmias
Espelhos falsos que dizem
Traduzir lama e gritos
Rasga o poeta vivo
Negras vestes do rei
Ele corta e sangra
Não o deixem cantar
Ele corta e sangra
Dizia de cegos e mortos
Aludia lamentações
Quando hipocrisia era prato
Predileto dos reis
Alegoria de iludido povo
Por que amava avesso
Em verso espada
El rei sacramentado
Aos gritos estampidos
Quero o poeta morto
A cabeça do porco
Aos cães danados
Quebrem o verso faca
Façam-no calado
Ponham sobre a mesa
Em bandeja posta
A cabeça submersa
Para que sirva de exemplo.
José Torres (Verso Avesso/1987)
01 outubro 2009
Cantar mais que preciso
Dessas coisas sem limite
Canta o poeta a riste
Coisas que ao verso se prendem
Por ser trama e entranha
Não diz o homem cru de terra
Com a boca da despeja
Nem com olhos petrificados
Diz sim o coração
Com a perfeita marcação
Ponto a ponto fraseado
Rasgando garganta afora
Dessas coisas sem limite
Diz o poeta como abortado
Que parí-lo é preciso
Mesmo sangrando o poema
José Torres
Canta o poeta a riste
Coisas que ao verso se prendem
Por ser trama e entranha
Não diz o homem cru de terra
Com a boca da despeja
Nem com olhos petrificados
Diz sim o coração
Com a perfeita marcação
Ponto a ponto fraseado
Rasgando garganta afora
Dessas coisas sem limite
Diz o poeta como abortado
Que parí-lo é preciso
Mesmo sangrando o poema
José Torres
22 maio 2009
NÃO HÁ
Não há quem vista essa camisa
Não há quem compre essa briga
Não há quem resista a esta intriga
Não há quem coma desta comida
Não há quem rasgue esta fibra
Não há quem dilacere o coração
Não há quem sane esta ferida
Não há quem beba desta bebida
Não há quem mate esta formiga
Não há quem cace a saída
Não há quem viva esta vida
por mim.
José Torres (Verso Avesso/1987)
Não há quem compre essa briga
Não há quem resista a esta intriga
Não há quem coma desta comida
Não há quem rasgue esta fibra
Não há quem dilacere o coração
Não há quem sane esta ferida
Não há quem beba desta bebida
Não há quem mate esta formiga
Não há quem cace a saída
Não há quem viva esta vida
por mim.
José Torres (Verso Avesso/1987)
27 março 2009
25 janeiro 2009
Tal qual ( para Nôrinha )
Nada foi tão desigualmente parecido
Como você e eu
Nada esteve tão separadamente unido
Como você e eu
Nada
José Torres
Como você e eu
Nada esteve tão separadamente unido
Como você e eu
Nada
José Torres
26 dezembro 2008
Certeza estranha
Na primeira dentada é rasgada
A estranha certeza
Como se pratos sobre a mesa
Fossem sempre porcelanas
Como se tudo que fere
Fosse o aço do punhal
Como se toda a terra fosse plana
Todo verde fosse cana
Todo parecido, igual
Mas, a estranha certeza
Que bocas abertas derramam
De nítidas, transparentes
Mostram tão somente
Um lado do olho.
José Torres
A estranha certeza
Como se pratos sobre a mesa
Fossem sempre porcelanas
Como se tudo que fere
Fosse o aço do punhal
Como se toda a terra fosse plana
Todo verde fosse cana
Todo parecido, igual
Mas, a estranha certeza
Que bocas abertas derramam
De nítidas, transparentes
Mostram tão somente
Um lado do olho.
José Torres
01 dezembro 2008
Meu louco pai
O que seria de meu pai
Se retirassem a policial dos jornais?
O que seria de meu pai
Se não ocorressem os crimes habituais?
O que seria de meu louco pai
Se não houvessem mortes nas avenidas principais?
O que seria de meu pobre pai
Se não desabassem elevados nas grandes capitais?
O que seria, o que seria de meu pai
Se não passassem filmes de terror nos cinemas locais?
O que seria de meu pai
Sem seus inseparáveis gibis da FBI?
O que seria de meu louco pai
Sem seus ternos e reuniões formais?
O que seria de meu pai
Se tudo fosse amor?
José Torres
Se retirassem a policial dos jornais?
O que seria de meu pai
Se não ocorressem os crimes habituais?
O que seria de meu louco pai
Se não houvessem mortes nas avenidas principais?
O que seria de meu pobre pai
Se não desabassem elevados nas grandes capitais?
O que seria, o que seria de meu pai
Se não passassem filmes de terror nos cinemas locais?
O que seria de meu pai
Sem seus inseparáveis gibis da FBI?
O que seria de meu louco pai
Sem seus ternos e reuniões formais?
O que seria de meu pai
Se tudo fosse amor?
José Torres
01 novembro 2008
Revolução
Muitos tombaram
Sentiram o sabor do sangue
Muitos outros calaram
E sentiram-se sós.
José Torres
Sentiram o sabor do sangue
Muitos outros calaram
E sentiram-se sós.
José Torres
10 outubro 2008
Atroz
Quem se atreve a ser trigo
Na trilha do trem?
Quem se atreve a ser trava
No trato da sorte?
Quem se atreve a ser trote
No trole da vida?
Quem se atreve a ser traça
No trono do rei?
Quem se atreve a ser troça
Na trama dos astros?
Quem se atreve a ser troca
No truque do mágico?
Quem se atreve a ser trova
No trivial descaso?
(José Torres / verso avesso – 1987)
Na trilha do trem?
Quem se atreve a ser trava
No trato da sorte?
Quem se atreve a ser trote
No trole da vida?
Quem se atreve a ser traça
No trono do rei?
Quem se atreve a ser troça
Na trama dos astros?
Quem se atreve a ser troca
No truque do mágico?
Quem se atreve a ser trova
No trivial descaso?
(José Torres / verso avesso – 1987)
19 setembro 2008
Risque rabisque
Há quem flores
há quem fitas
há quem esconda
quem permita
há coisas
telas
tintas
Há tantos livros
tantos títulos
há quem trace
há quem trave
quem só torça
quem só cave
tantos lances
tantos impasses
Há tantos quantos
que nem se sabe
quem flores
quem fitas
quem se esconde
ou se permita
Quem se arrisca?
José Torres (verso avesso/1987)
há quem fitas
há quem esconda
quem permita
há coisas
telas
tintas
Há tantos livros
tantos títulos
há quem trace
há quem trave
quem só torça
quem só cave
tantos lances
tantos impasses
Há tantos quantos
que nem se sabe
quem flores
quem fitas
quem se esconde
ou se permita
Quem se arrisca?
José Torres (verso avesso/1987)
25 agosto 2008
MAGOS POETAS - a todos os piratas
No papel
há de se transcender
palavras
por arte
por força maior
de mãos
que empurram penas
que obedecem apenas
a ordem da criação.
José Torres
( verso avesso / 1987)
há de se transcender
palavras
por arte
por força maior
de mãos
que empurram penas
que obedecem apenas
a ordem da criação.
José Torres
( verso avesso / 1987)
08 agosto 2008
INVENTÁRIO
Cortem-me em pedaços
E sirvam-me aos caranguejos
(irmãos de sangue)
Guardem apenas meus olhos
No ponto mais alto
De suas cidades
Só não toquem
(por favor)
Em minhas palavras
Estas
Deverão permanecer acesas
Sempre à procura
De uma condição humana.
José Torres
Livro verso avesso – 1987
E sirvam-me aos caranguejos
(irmãos de sangue)
Guardem apenas meus olhos
No ponto mais alto
De suas cidades
Só não toquem
(por favor)
Em minhas palavras
Estas
Deverão permanecer acesas
Sempre à procura
De uma condição humana.
José Torres
Livro verso avesso – 1987
27 julho 2008
MATADOURO PÚBLICO
A carne sem esquecer a fome que a devora
serve-se às pressas desses dentes
A carne indiferente à fúria que lhe trai
dá-se tenra e inócua ao crime
A carne incontinenti abrange a morte
abraçada a sorte como que eterna
A carne espreita a lâmina austera
lavando a sangue o gume que a fere
A carne dá-se conta que é tarde
aberta oferecida à fera
José Torres
(verso avesso/1987)
serve-se às pressas desses dentes
A carne indiferente à fúria que lhe trai
dá-se tenra e inócua ao crime
A carne incontinenti abrange a morte
abraçada a sorte como que eterna
A carne espreita a lâmina austera
lavando a sangue o gume que a fere
A carne dá-se conta que é tarde
aberta oferecida à fera
José Torres
(verso avesso/1987)
15 julho 2008
POETA / POEMA
Se o poema perde a rima
Tudo bem
Porém, se o poeta perde o rumo
O poema escapa-lhe das mãos
O poeta sem poesia morre
O poema sem rima não.
José Torres (verso avesso/1987)
Tudo bem
Porém, se o poeta perde o rumo
O poema escapa-lhe das mãos
O poeta sem poesia morre
O poema sem rima não.
José Torres (verso avesso/1987)
09 julho 2008
Amarelosa
Longe de lógica
É lógico
O lago de cristal de rocha
Espelho mágico de ótica
Água doce cristalina
Água de sal
Chá de ervas daninhas
Fonte natural das coisas
Longe de casa
Na roça
Rumores líricos cânticos
Astrais delírios
Lírios brancos
Sublime feto
Véu d’alma
Dedo índico
Indica indícios de sol
Anular lua luar nostálgico
Na memória
Uma outra estória
De um verde lilás
E um amarelo cor-de-rosa.
José Torres (verso avesso/1987)
É lógico
O lago de cristal de rocha
Espelho mágico de ótica
Água doce cristalina
Água de sal
Chá de ervas daninhas
Fonte natural das coisas
Longe de casa
Na roça
Rumores líricos cânticos
Astrais delírios
Lírios brancos
Sublime feto
Véu d’alma
Dedo índico
Indica indícios de sol
Anular lua luar nostálgico
Na memória
Uma outra estória
De um verde lilás
E um amarelo cor-de-rosa.
José Torres (verso avesso/1987)
19 junho 2008
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