Mostrando postagens com marcador Sebastiana de Lourdes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sebastiana de Lourdes. Mostrar todas as postagens

05 outubro 2011

Espera (em tempos de violência)

Soou meia-noite, sem dormir permaneço.
Dos filhos rapazes aguardo a chegada.
E do sono inquieto, assim desvaneço.

A criança embalava nos braços de outrora.
À hora tardia, mãe despreocupada.
Total diferença desta aflição de agora.

Silêncio opressor cobre a rua, a cidade.
Ouvidos atentos a passos na escada.
Incerteza da volta meu peito invade.

Sebasteana de Lourdes

06 fevereiro 2011

Ver(desmatas)

Madeira verde, cortada, seca.
Queimada.
Toras grossas, finas, roliças.
Empilhadas.
Raízes novas, antigas, em cima da terra.
Lançadas.
Covas, buracos, crateras das árvores.
Escorraçadas.

O verde das matas esmaece.
Desbota o sentimento do homem.
De amor pela terra carece.
Ingratas as emoções se somem.
Desnecessárias queimadas se acendem.
O céu da Terra escurece.
O céu da vida empobrece.

Almas verdejam em mar de esperança.
Dias virão, de verão. Verão.
O homem plantar no solo.
Sementes de novas árvores.
Plantar árvore no chão.
E amor no coração.

Sebastiana De Lourdes

19 fevereiro 2010

Renome

Seu nome é sem nome.
Sem nome ou renome.
Com fome de nome.
Que consome, some.
Até que retorne e viva.
Sem nome.


Sebastiana de Lourdes

30 dezembro 2009

Insônia

Faço de tudo para afastar você de mim.
Leio livros, escrevo cartas.
Sem começo meio ou fim.
Penso no bem, penso no mal.
Na mentira e no real.

Olho a rua sem passantes.
Tomo chá, refrigerantes.
Durmo.
Acordo.
Não, não durmo nem acordo.
Situação estressante.

Ouço rádio, mas desligo.
Desisto, vejo tevê
Considerando castigo
Não escapar de você.

O galo escancara o canto.
Pia a coruja agourenta.
Gatos miam e quebram o telhado
Maneira de amar violenta.
Os ruídos crescem os ouvidos
E as horas correm tão lentas!

Sinto medo de caveira.
De alma de outro mundo.
Invoco todos os santos
De São Jorge a São Raimundo.

Choro, esperneio, enlouqueço.
Estou ficando maluca.
Mais uma noite, prisioneira.
Dessa terrível arapuca.

Rogo pragas, nomes feios.
Chamo você de demônia.
Faço tudo e não me livro
De você maldita INSÔNIA.

Sebastiana de Luordes

10 novembro 2009

Caminhos convergentes

Morte e vida.
Duas faces da mesma moeda.
Faz-se o precipício.
Resulta-se a queda.
O nascimento traz o desenlace.
Em seu bojo
Engano, pensar ser a morte.
Da vida o oposto.
Ao contrário, são intrínsecas.
Entrelaçadas.
Como a ostra e a pedra
Permanecem abraçadas.
Vida, veneno indispensável.
À existência da morte.
Como o azar é o gêmeo.
Irmão maldito da sorte.

Sebastiana de Lourdes

01 outubro 2009

Flores de chuva

Minha casa não tem porta.
Nem telhado, nem janela.
É sem tranca e sem tramela.
De tão velha, ficou torta.
Comigo ninguém se importa.
Nem mesmo meu bem-querer.
Que espero um dia bater
Nas portas do meu coração.
E entrar com permissão
Na saleta do prazer.

Sou casebre sem parede.
Tranca, retrancas ou teto.
Meu bem é o arquiteto.
Dispenso camas ou rede.
Sou água da sua sede.
O doce acre da uva.
Estrada reta sem curva.
Sou tapera sem biqueira.
Onde em noite de goteira.
Caem no chão flores de chuva.

Sebastiana de Lourdes

Floresta nossa

Floresta nossa que olhais o céu.
Que Amazônica seja o vosso nome.
Preservado seja o nosso reino.
Seja feita a vossa vontade.
Neste resto de terra onde fincais os pés.
O desmate de cada dia vos desfaz hoje.
Perdoais tantas ofensas.
Embora não perdoemos a quem vos tem ofendido.
Não deixeis a lei dos homens cair em tentação.
E que livre todas as árvores e plantas do mal.
Amém.

Sebastiana de Lourdes