uma sílaba
emitida aqui
e o silêncio
se foi mais pra lá
Edmilson Madureira Segundo
[2011]
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21 fevereiro 2011
09 fevereiro 2011
...
saudades sou e estou
mas se me perguntares
estou bem e sou eu
e não será mentira
não amanhã domingo
mas na segunda-feira
na terça de verdade
eu mais ou menos bem
e mais ou menos eu
se perguntares quarta
então estarei eu
e serei menos tu
no meio do caminho
de eu me encontrar de novo
quebrarei as lembranças
pedras não ficarão
mas cinzas de horas velhas
nuvem de pó ao vento
e se fomos felizes
não tivemos motivo
pois ainda serei
se não seremos mais
que faço com a esperança
de um dia ainda ser
se sou e estou saudades
se permanecerei
dois e dois serão quatro
mas todos nós sabemos
que dois e dois são cinco
mas talvez sejam três
Edmilson Madureira Segundo
[2011]
mas se me perguntares
estou bem e sou eu
e não será mentira
não amanhã domingo
mas na segunda-feira
na terça de verdade
eu mais ou menos bem
e mais ou menos eu
se perguntares quarta
então estarei eu
e serei menos tu
no meio do caminho
de eu me encontrar de novo
quebrarei as lembranças
pedras não ficarão
mas cinzas de horas velhas
nuvem de pó ao vento
e se fomos felizes
não tivemos motivo
pois ainda serei
se não seremos mais
que faço com a esperança
de um dia ainda ser
se sou e estou saudades
se permanecerei
dois e dois serão quatro
mas todos nós sabemos
que dois e dois são cinco
mas talvez sejam três
Edmilson Madureira Segundo
[2011]
30 dezembro 2009
[...]
[para os poetas Miró,
Bernardo e eu mesmo]
nós somos os donos
das nossas verdades
e ninguém tem direito
de nos tirar ilusões
que nos caem tão bem
caia chuva ou caia sol
ninguém só tem direito
de me duvidar os versos
quando for alguém
incapaz de comprar
ou de manufaturar
suas próprias verdades
mas na verdade prossigo
caiam palmas caiam vaias
tirando prata do nariz
Edmilson Madureira Segundo [2009]
Bernardo e eu mesmo]
nós somos os donos
das nossas verdades
e ninguém tem direito
de nos tirar ilusões
que nos caem tão bem
caia chuva ou caia sol
ninguém só tem direito
de me duvidar os versos
quando for alguém
incapaz de comprar
ou de manufaturar
suas próprias verdades
mas na verdade prossigo
caiam palmas caiam vaias
tirando prata do nariz
Edmilson Madureira Segundo [2009]
01 dezembro 2009
...
por enquanto
é preciso separar
a letra da melodia
por ser inútil
ouvir minha voz
entoar nosso canto
por enquanto
é preciso retirar
meus versos da folha
por ser inútil
rimar teu amor
com meus versos brancos
por enquanto
é preciso rasgar
as fotos ao meio
por ser inútil
lembrar do que éramos
se não somos tanto
por enquanto
é preciso soltar
a tinta da pele
por ser inútil
carregar-te comigo
pra todo canto
por enquanto
não posso esperar
que apareças aqui
pra reunir tudo
o que fomos e somos
por encanto
Edmilson M. Segundo, [2009]
é preciso separar
a letra da melodia
por ser inútil
ouvir minha voz
entoar nosso canto
por enquanto
é preciso retirar
meus versos da folha
por ser inútil
rimar teu amor
com meus versos brancos
por enquanto
é preciso rasgar
as fotos ao meio
por ser inútil
lembrar do que éramos
se não somos tanto
por enquanto
é preciso soltar
a tinta da pele
por ser inútil
carregar-te comigo
pra todo canto
por enquanto
não posso esperar
que apareças aqui
pra reunir tudo
o que fomos e somos
por encanto
Edmilson M. Segundo, [2009]
04 agosto 2009
...
nós também somos ibéricos
perdidos em jangada de pedra
pixando muros pela europa
ou espalhados pelo mundo
feitos de uma substância
que vira pó fácil fácil
somos haitianos sem rifle
angolanos sem perna
timorenses sem cabeça
balcânicos mas não sérvios
indianos mas não falamos inglês
sul-africanos e não bebemos tea
afro-americanos e não cantamos rap
chineses de hábito laranja
ingleses irlandófonos
espanhóis bascoparlantes
neobolivaristas inermes
cubanos cubanos
nós também somos ibéricos
cantamos fora de ordem
haiti língua eu sou neguinha
só os raps de caetano
e nascemos noutra jangada
ancorada da bahia ao maranhão
nós somos nordestinos
e não vamos pra são paulo
[03.02.2008]
Edmilson M. Segundo,
perdidos em jangada de pedra
pixando muros pela europa
ou espalhados pelo mundo
feitos de uma substância
que vira pó fácil fácil
somos haitianos sem rifle
angolanos sem perna
timorenses sem cabeça
balcânicos mas não sérvios
indianos mas não falamos inglês
sul-africanos e não bebemos tea
afro-americanos e não cantamos rap
chineses de hábito laranja
ingleses irlandófonos
espanhóis bascoparlantes
neobolivaristas inermes
cubanos cubanos
nós também somos ibéricos
cantamos fora de ordem
haiti língua eu sou neguinha
só os raps de caetano
e nascemos noutra jangada
ancorada da bahia ao maranhão
nós somos nordestinos
e não vamos pra são paulo
[03.02.2008]
Edmilson M. Segundo,
27 julho 2008
[...]
vez por outra visto luto
por poemas mal realizados
poemas em que não consegui
ao erguer verso sobre verso
transformar idéia em tijolo
fazer de areia e água poesia
poemas em que não mostro
vir a mágica do estalar de dedos
mas de grosseiro ademane
nem mostro um impossível possível
bocados de pedra e desejo
transformando-se em Taj Mahal
um poema mal realizado
não cumpre a promessa
o toureiro se deixa ferir
o enxadrista oferece o empate
um mágico de mãos lentas
e o estalar de dedos não convence
um poema mal realizado
é cerimônia de casamento
em que a noiva diz não
é gestação de ansiado filho
em que a criança nasce com asas
pois deus precisa de anjos
um poema mal realizado
é uma gestação infinita
dum filho mais que querido
um filho necessário
gestação sem parto ou aborto
desfile sem apoteose
um poema mal realizado
é filho indesejado talvez
um incômodo constante
um ser que precisa de amor
mas este nunca será nada
nada além de fingimento
mas o que pode fazer o poeta
com seu mausoléu insípido
com sua mágica revelada
com seu poema flácido
se nele existe alguma coisa
que não cabe em lixo ou livro
Edmilson Madureira Segundo
por poemas mal realizados
poemas em que não consegui
ao erguer verso sobre verso
transformar idéia em tijolo
fazer de areia e água poesia
poemas em que não mostro
vir a mágica do estalar de dedos
mas de grosseiro ademane
nem mostro um impossível possível
bocados de pedra e desejo
transformando-se em Taj Mahal
um poema mal realizado
não cumpre a promessa
o toureiro se deixa ferir
o enxadrista oferece o empate
um mágico de mãos lentas
e o estalar de dedos não convence
um poema mal realizado
é cerimônia de casamento
em que a noiva diz não
é gestação de ansiado filho
em que a criança nasce com asas
pois deus precisa de anjos
um poema mal realizado
é uma gestação infinita
dum filho mais que querido
um filho necessário
gestação sem parto ou aborto
desfile sem apoteose
um poema mal realizado
é filho indesejado talvez
um incômodo constante
um ser que precisa de amor
mas este nunca será nada
nada além de fingimento
mas o que pode fazer o poeta
com seu mausoléu insípido
com sua mágica revelada
com seu poema flácido
se nele existe alguma coisa
que não cabe em lixo ou livro
Edmilson Madureira Segundo
02 julho 2008
...
sou ponto final
no meio de orações
entre eu e mim
sujeito objeto
sou adjetivo imperfeito
substantivo irregular
bilionésima pessoa plural
variavelmente singular
sou verbo abstrato
conjugo tempo impreciso
emito interjeições indefinidas
concordo advérbios de negação
eu sou ego mesmo
não faço sentido
perco sensações
procurando vernáculos
sou só reticências
[18.05.2008]
Edmilson M. Segundo
no meio de orações
entre eu e mim
sujeito objeto
sou adjetivo imperfeito
substantivo irregular
bilionésima pessoa plural
variavelmente singular
sou verbo abstrato
conjugo tempo impreciso
emito interjeições indefinidas
concordo advérbios de negação
eu sou ego mesmo
não faço sentido
perco sensações
procurando vernáculos
sou só reticências
[18.05.2008]
Edmilson M. Segundo
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