Mostrando postagens com marcador Ricardo Pocinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ricardo Pocinho. Mostrar todas as postagens

04 janeiro 2012

[este nada que me cansa, que se repete]


Cumprem-se as promessas nos joelhos em carne viva,
e o sangue inunda a terra,
cantam as sereias em silenciosos rumores,
afunda-se a espada,
crava-se a indiferença.
Indiferença do que se olha, como se tudo já se conhecesse,
tantas as viagens, tantas as repetições,
tantos os orgulhos, tantos os seixos pisados,
nem um grito aparece, nada
diferente,
repetições já saturadas.
Rastejam as promessas, pelas lágrimas que ficaram,
enganos, mentiras, algumas palavras sem nexo,
riem-se os adamastores, naquela altivez latente,
que cansa o vento.
[que me cansa...]
Tanto o esquecimento desejado, suplicado.
E nascem alguns lírios, como troféus
da vida onde as promessas valem
mais que factos,
e tudo recomeça novamente, como se o nada existisse.
[Este nada que me cansa, que se repete],
das promessas que se julgam,
cumpridas,
dos atos que se voltarão a repetir.

O Transversal - Ricardo Pocinho.

05 outubro 2011

Poeta

Relógio asfixiado pelo tempo passado
parado na parede branca
restos dessa humildade descolorida
invadindo estuque tijolo
insectos enlouquecidos rápidos, sem destino.

Alguém olhava o labirinto traçado
tentado nesse excesso
decifrar o poema morto,
completo,
diversão escondida nos livros amontoados
dispersos coincidentes de temas,
versos soltos sem nexos
uma caneta usada gasta na formação
das palavras completas
inovação ilimitada,
universos profundos do transe das aranhas
jardins suspensos imaginados,
belezas escondidas entre vírgulas,
descanso da voz, pausas obrigadas
apenas o cansaço jazia
no entulho da matéria
prenúncio anunciado da vida
lápide simples, inocente
no cemitério de nuvens e estrelas cadentes.

Saudade esse fado da alma,
do sol das abelhas
do mar lá bem longe
uma frase simples
tatuada,
esculpida na madeira da mesa criadora,
"poeta, finalmente libertado".
 
Nkisi
[Ricardo Pocinho]

13 setembro 2011

Perola do meu mar azul...

De tantos mares navegados [“além da Taprobana”]
............................................... [aquém de Tordesilhas]
De tantas migrações pelos ventos [além das brisas]
.................................................... [tantos os tornados]

Ficou-me sempre o cheiro a canela,
Da minha rainha, a quem um dia,

Chamei de perola, perola do meu mar azul,
Onde nascem os nenúfares,
Onde os corais são arco-íris [eternamente],

E,
...
[Mesmo que o céu um dia caia,
Mesmo que o mar um dia se evapore,
Mesmo que os rios sequem um dia...],

Ela está sempre no meu coração,
Na minha alma, no meu sentir,

E,
...
[Mesmo que a poesia um dia acabe,
Mesmo que as palavras um dia sejam esquecidas,
Mesmo que as minhas mãos congelem um dia...]

Aquele cheiro a canela, ficará meu segredo,
Nos segredos da minha memória,
Por detrás do nascer ao por do sol,
...
Sempre [na minha alma]
...
[Sempre será a minha rainha...]

Perola do meu mar azul...
 ...
Sempre.


Ricardo Pocinho [o transversal]
(Dedicado a Edilene Peixe, Rainha do Mar, do meu...)

17 março 2011

Rouxinol

Nas noites acordadas
suspirando por orações a deuses
pagãos,

solto o meu grito por clemência,

e,

os meus ouvidos compreendem
o cantar mudo do rouxinol,

que,

assustado pelo troar do trovão,

emudeceu.
 
( O Transversal - Ricardo Pocinho ) 

Adeus

Ambos voámos nas asas
do pássaro gigante

mostraste me tudo, mesmo o que,
ninguém jamais viu,

sentiu,

um dia continuaste, só ,imparável,

sem um adeus sequer...
 
( O Transversal - Ricardo Pocinho )

Sentir

Queriam as aves voar
sem destino

procurando alegria bem longe
dali,

ficando estático senti
vento frio,
gelo mesmo,

quando me chorei
por ti...
 
 
( O Transversal - Ricardo Pocinho )

24 fevereiro 2011

Linguagem das flores

Esqueci a porta aberta,

quando saíste
sem olhar por mais um segundo que fosse,

desfiei o cordão de hera ainda verde
por cima da túlipa negra,

adormecida
no pavimento frio da entrada.


(O Transversal -Ricardo Pocinho)

Alquimia

Transformando

sol em ouro,
alquimia de Apolo exuberante,

o mais de profundo
na terra escondido

reflete toda esta alegria

em mim,
de ti.

(O Transversal -Ricardo Pocinho)

Limbo

Hoje,
quando beber a última taça

deste desejo sem esperança,

a chicotada na alma,
ecoará,

incessantemente.

(O Transversal -Ricardo Pocinho)