O vero amor não esfria
Já o sábio apaixonado dizia:
– ser sempre o amor eterno e forte.
Porque se o amor esfria
Ali, naquele peito, o coração não tinha:
– mas paixão e não, o amor bem forte.
O vero amor não se esquece
Já o sábio apaixonado não se esquece:
– ser o amor da sua vida o sentido seu.
E mesmo, o vero amor, não é egoísmo...
Aqui, nesse peito, só há altruísmo
– em dar-se a vida por quem se quer.
E muito e tanto o vero amor é
Que não me é possível nem ao sábio é
Dizer tudo o que Dele o homem sente
Pois inexaurível é o significado seu,
Abismo sem fundo onde Tudo se perdeu
Procurando um solo que o sustente.
Ponho o pé agora nesse firme chão,
Pois dizer a verdade é quase sempre:
– ilusão.
Por ARREBOL
Arrebol é o pseudônimo de Henrique de Shivas para poemas de amor.
Abaixo estão 7 poemas feitos sob a égide desse nome.
Mais informações no blog: bakallau-underground
Henrique de Shivas
Por ARREBOL
Mostrando postagens com marcador Henrique de Shivas Gr.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Henrique de Shivas Gr.. Mostrar todas as postagens
11 julho 2011
18 junho 2011
Indecisão
a)
Se os meus olhos dizer pudessem que eu te quero,
Certamente diriam o que minha língua,
Não podendo dizer o que propriamente não pode:
– teme e se repele de dizer.
E fato é que não o posso agora dizer
Por não me sentir apto a tal intento;
Embora mal me esforce eu – com tanto talento,
Não basta muito o esforço meu,
Pois pesada como a minha língua ‘stá – nesse momento,
por demais que eu tente e me esforce mais – não sai do lugar.
Ora, se a língua parte é do corpo meu e posso, com efeito,
O que penso “aos que a podem ouvir” clamar:
o que impede de bem longe ir dizendo, senão por palavras,
– o que eu desejo tanto: que é te amar?
Pois o caldo do seu beijo nunca eu esqueci...
Nem dos dias de abraço onde o calor se movia
Nas profundezas dos nossos pedaços.
Pois de tudo aquilo que eu mais senti
Era ser eterno o beijo que a nós nutria
Era ser perfeito e fraterno o calor dos nossos abraços...
E como eu penso em círculos, oh meu Deus!
Como um cão a correr atrás do seu próprio rabo
– não sei se eu percebo errado:
Mas do lugar, penso eu, que também não saio.
Indecisão – coisa grave, séria:
se eu disser donde provém, minto eu.
Ignoro tudo, pois nada disso, contudo, escolhi eu!
Ter assim a vida atada à força por um Deus que eu mal conheci?
O seu nome distante permanece de mim,
Como tudo aquilo que eu não vivendo: eu não vivi.
Pulsa e bate como um trovão todo o coração meu.
Já se ouve chuva! Já se vê o sol!
Pois assim o é que cada um sente, dentro-de-si, tudo o que é – emoção seu.
Quero agora a chuva dessa sombria tarde. Quero também: o seu Arrebol.
b)
Quando chora, vê na lágrima o espelho do seu rosto:
– a própria compaixão.
E dor também na lágrima e comoção há e existe tanta,
Quando saudade sente dentro-de-si também batendo...
Como alguém que a esperança perdendo
Apenas lamenta não ter podido “ir atrás uma única vez”...
pra ver se acerta aquilo que o Destino lhe pôs como Lei Excelsa;
para ser testado “uma segunda vez”.
Descobre, e nisso se frustra, resumo:
“o Destino, em sua sacola nos leva a todos;
não tem parada: não volta atrás”.
Descobre, e nisso se abisma, eu vos digo:
“o Destino, em sua infinda caminhada,
Para onde vai, senão, encontrar a Morte?
O Destino à Morte ama.
Um e Outro ao lado da Vida mesma!
– o que somos nós, senão, Destino?”.
Mas houve dias em que “o homem que eu sou” acordou entusiasmado...
Com língua-poética e pose de Apolo:
– acreditou o Passado corrigir e lá voltar;
Para tudo ter como pensaria o seu melhor proveito – Egoísta!
Um perfeito amor viver!
De qualquer modo nisso almejava feliz ser.
Mas tudo se lhe revirou a cabeça de ponta a baixo;
Fugiu-se o seu controle.
Para onde foi não se sabe aonde
E em vão sua mão tentou abarcar a água – o seu arrependimento.
E cada lembrança reviveu dentro-de-si
Como se não quisesse abrir os olhos;
No interior de sua alma, como se não quisesse acordado ser:
– duro e estatelado permaneceu.
E embora sua mãe o notasse daquele modo angustiado,
Nada fazer podia senão calar-se...
Para conter-se o seu soluço:
– apaziguar o suspirar.
Nada fazer podia senão esperar
Para que o Tempo (a mãe mais velha do Mundo)
O pudesse curar:
– o seu coração rachado.
Henrique de Shivas Gr.
Se os meus olhos dizer pudessem que eu te quero,
Certamente diriam o que minha língua,
Não podendo dizer o que propriamente não pode:
– teme e se repele de dizer.
E fato é que não o posso agora dizer
Por não me sentir apto a tal intento;
Embora mal me esforce eu – com tanto talento,
Não basta muito o esforço meu,
Pois pesada como a minha língua ‘stá – nesse momento,
por demais que eu tente e me esforce mais – não sai do lugar.
Ora, se a língua parte é do corpo meu e posso, com efeito,
O que penso “aos que a podem ouvir” clamar:
o que impede de bem longe ir dizendo, senão por palavras,
– o que eu desejo tanto: que é te amar?
Pois o caldo do seu beijo nunca eu esqueci...
Nem dos dias de abraço onde o calor se movia
Nas profundezas dos nossos pedaços.
Pois de tudo aquilo que eu mais senti
Era ser eterno o beijo que a nós nutria
Era ser perfeito e fraterno o calor dos nossos abraços...
E como eu penso em círculos, oh meu Deus!
Como um cão a correr atrás do seu próprio rabo
– não sei se eu percebo errado:
Mas do lugar, penso eu, que também não saio.
Indecisão – coisa grave, séria:
se eu disser donde provém, minto eu.
Ignoro tudo, pois nada disso, contudo, escolhi eu!
Ter assim a vida atada à força por um Deus que eu mal conheci?
O seu nome distante permanece de mim,
Como tudo aquilo que eu não vivendo: eu não vivi.
Pulsa e bate como um trovão todo o coração meu.
Já se ouve chuva! Já se vê o sol!
Pois assim o é que cada um sente, dentro-de-si, tudo o que é – emoção seu.
Quero agora a chuva dessa sombria tarde. Quero também: o seu Arrebol.
b)
Quando chora, vê na lágrima o espelho do seu rosto:
– a própria compaixão.
E dor também na lágrima e comoção há e existe tanta,
Quando saudade sente dentro-de-si também batendo...
Como alguém que a esperança perdendo
Apenas lamenta não ter podido “ir atrás uma única vez”...
pra ver se acerta aquilo que o Destino lhe pôs como Lei Excelsa;
para ser testado “uma segunda vez”.
Descobre, e nisso se frustra, resumo:
“o Destino, em sua sacola nos leva a todos;
não tem parada: não volta atrás”.
Descobre, e nisso se abisma, eu vos digo:
“o Destino, em sua infinda caminhada,
Para onde vai, senão, encontrar a Morte?
O Destino à Morte ama.
Um e Outro ao lado da Vida mesma!
– o que somos nós, senão, Destino?”.
Mas houve dias em que “o homem que eu sou” acordou entusiasmado...
Com língua-poética e pose de Apolo:
– acreditou o Passado corrigir e lá voltar;
Para tudo ter como pensaria o seu melhor proveito – Egoísta!
Um perfeito amor viver!
De qualquer modo nisso almejava feliz ser.
Mas tudo se lhe revirou a cabeça de ponta a baixo;
Fugiu-se o seu controle.
Para onde foi não se sabe aonde
E em vão sua mão tentou abarcar a água – o seu arrependimento.
E cada lembrança reviveu dentro-de-si
Como se não quisesse abrir os olhos;
No interior de sua alma, como se não quisesse acordado ser:
– duro e estatelado permaneceu.
E embora sua mãe o notasse daquele modo angustiado,
Nada fazer podia senão calar-se...
Para conter-se o seu soluço:
– apaziguar o suspirar.
Nada fazer podia senão esperar
Para que o Tempo (a mãe mais velha do Mundo)
O pudesse curar:
– o seu coração rachado.
Henrique de Shivas Gr.
21 fevereiro 2011
Não Prisões
I
Tanto pensei que correto fosse pensar que sempre possível seria um sonho realizar...
II
Que amores fossem como dádivas e não prisões.
III
Que amores fossem certos e perdidos não.
IV
É que não se cria a Natureza o homem para fácil viver, principalmente os que Dela esperam Os Seus Planos.
V
Como o fazem os Bons Pais que severos com os seus filhos são, assim o é que penso que seja o fato.
VI
Mas a idade revela que do Amor não se pode ter por muito o que o causa: efêmera é a Paixão senão é Sublime.
VII
De facto, crescer preciso é se não a Vida passa sem crescer poder...
VIII
Só lamentando Eu vi muitos dias amanhecerem e sumirem...
IX
Que raiou o Sol e o perdi sem a Cor ver.
X
Prefiro que assim o seja, mesmo que a Ela outro homem a Paixão lhe dê.
XI
Que não seja Eu O Eleito ou O Cristo.
XII
Mas que não permita-me pensar a Sã Razão que assim o foi em um momento, pois o que constitui Eleição de um Ser Maior é o que para Nós O Melhor o é, e para tudo em Nós O Ser Maior tem também o seu Plano e a sua Hora.
XIII
Disso, agradeço a Ela, acima de tudo, ter me dado olhos que vêem Além, sem disso precisar dizer que Sou O Mais Sábio, ou que arrogante me ponha Eu ante o Outro.
XIV
Certeza eu tenho de que mudado o fui, para melhor O Ser o que tem em mim lá dentro.
XV
Que a cá em peito meu Outro Coração impulsiona já o meu Passo.
XVI
E que posso tanto ser quanto “o que pode mais do que o permite a sua própria natureza”.
XVII
Mordia-me outrora os meus dentes a minha carne própria, na dúvida, mergulhado, como quem arruinado muito não pára de chorar.
XVIII
Hoje não só entendo como sei que foi para O Meu Melhor o Passado meu sentir, para no Presente ter Eu um Conhecimento Certo do que de vir há: de que na Vida nada em vão é, como se pensa o Tolo; que tudo Preparo é e Esforço mútuo, como se tivesse dessa Vida outra Após e dessa Além.
XIX
A Força que move o braço meu não some se o braço meu sumir. A Força que rege os sonhos meus não cessa nunca de Existir.
XX
É que Preguiçoso o é “o ato de pensar ter tudo um fim”: sem os olhos abrir e tentar mais fundo ver, o que naquele Mar permanece obscuro mais.
XXI
E foi assim que descobri que em Vida até os Amores são como tratos: que se a Vida é vivida desse modo o é para O Melhor Dela Mesma, e é por Nós somente que a Vida se faz tal como é, mesmo que disso, inconscientes todos – vivamos sem saber O Seu Rumo.
XXII
Torcendo estou eu para que continue assim a Vida minha, na certeza de que, nesse Equilíbrio, possa Ela atravessar sem despencar.
XXIII
Na certeza de que possa eu vencer sempre sabendo ser O Esforço uma Virtude e defeito não.
XXIV
E que cousas eu possa precisar alcançar sem temer cair.
(...)
Henrique de Shivas Gr.
Tanto pensei que correto fosse pensar que sempre possível seria um sonho realizar...
II
Que amores fossem como dádivas e não prisões.
III
Que amores fossem certos e perdidos não.
IV
É que não se cria a Natureza o homem para fácil viver, principalmente os que Dela esperam Os Seus Planos.
V
Como o fazem os Bons Pais que severos com os seus filhos são, assim o é que penso que seja o fato.
VI
Mas a idade revela que do Amor não se pode ter por muito o que o causa: efêmera é a Paixão senão é Sublime.
VII
De facto, crescer preciso é se não a Vida passa sem crescer poder...
VIII
Só lamentando Eu vi muitos dias amanhecerem e sumirem...
IX
Que raiou o Sol e o perdi sem a Cor ver.
X
Prefiro que assim o seja, mesmo que a Ela outro homem a Paixão lhe dê.
XI
Que não seja Eu O Eleito ou O Cristo.
XII
Mas que não permita-me pensar a Sã Razão que assim o foi em um momento, pois o que constitui Eleição de um Ser Maior é o que para Nós O Melhor o é, e para tudo em Nós O Ser Maior tem também o seu Plano e a sua Hora.
XIII
Disso, agradeço a Ela, acima de tudo, ter me dado olhos que vêem Além, sem disso precisar dizer que Sou O Mais Sábio, ou que arrogante me ponha Eu ante o Outro.
XIV
Certeza eu tenho de que mudado o fui, para melhor O Ser o que tem em mim lá dentro.
XV
Que a cá em peito meu Outro Coração impulsiona já o meu Passo.
XVI
E que posso tanto ser quanto “o que pode mais do que o permite a sua própria natureza”.
XVII
Mordia-me outrora os meus dentes a minha carne própria, na dúvida, mergulhado, como quem arruinado muito não pára de chorar.
XVIII
Hoje não só entendo como sei que foi para O Meu Melhor o Passado meu sentir, para no Presente ter Eu um Conhecimento Certo do que de vir há: de que na Vida nada em vão é, como se pensa o Tolo; que tudo Preparo é e Esforço mútuo, como se tivesse dessa Vida outra Após e dessa Além.
XIX
A Força que move o braço meu não some se o braço meu sumir. A Força que rege os sonhos meus não cessa nunca de Existir.
XX
É que Preguiçoso o é “o ato de pensar ter tudo um fim”: sem os olhos abrir e tentar mais fundo ver, o que naquele Mar permanece obscuro mais.
XXI
E foi assim que descobri que em Vida até os Amores são como tratos: que se a Vida é vivida desse modo o é para O Melhor Dela Mesma, e é por Nós somente que a Vida se faz tal como é, mesmo que disso, inconscientes todos – vivamos sem saber O Seu Rumo.
XXII
Torcendo estou eu para que continue assim a Vida minha, na certeza de que, nesse Equilíbrio, possa Ela atravessar sem despencar.
XXIII
Na certeza de que possa eu vencer sempre sabendo ser O Esforço uma Virtude e defeito não.
XXIV
E que cousas eu possa precisar alcançar sem temer cair.
(...)
Henrique de Shivas Gr.
O Futuro
Vi coisas belas nos céus vibrando
como nuvens elásticas o vento esmagando
no balaço descompasso do espaço.
Vi sidérios de óvnis prateados
doirados de luzes e de um vapor-neônico
e containers de ferro submersos em amálgamas de rubro-fluido.
Vi navios de diamante cintilar risonhos
na estrada que vai da Terra ao Sol
e aves de metal movidas a fogo e plasma-etérea.
Vi reinos de máquinas em vapor pleno
do sulfúrico-ácido o mar brotando
na aurora de um paraíso-magnético.
Vi ruas de siderúrgico-aço o chão botando
e tratores de vinte metros um vão abrindo:
um rombo em meio à superfície de um metal.
Vi mulheres com bundas de plástico o músculo embotando
e homens de cérebros eletrodinâmicos
da vida a equação fazendo.
E pássaros com cantos de microfone
antenados às redes de telecinese mundiais
voando sobre uma linha de espuma e ondas magnéticas.
E jasmins de sintéticos-perfumes brotando sob a luz das lâmpadas de sódio
ricas da fotossíntese que o carbono engendra
e plácidas de nutrientes que o adubo encontra.
Henrique de Shivas Gr.
Coleção POEMAS DO FUTURO
como nuvens elásticas o vento esmagando
no balaço descompasso do espaço.
Vi sidérios de óvnis prateados
doirados de luzes e de um vapor-neônico
e containers de ferro submersos em amálgamas de rubro-fluido.
Vi navios de diamante cintilar risonhos
na estrada que vai da Terra ao Sol
e aves de metal movidas a fogo e plasma-etérea.
Vi reinos de máquinas em vapor pleno
do sulfúrico-ácido o mar brotando
na aurora de um paraíso-magnético.
Vi ruas de siderúrgico-aço o chão botando
e tratores de vinte metros um vão abrindo:
um rombo em meio à superfície de um metal.
Vi mulheres com bundas de plástico o músculo embotando
e homens de cérebros eletrodinâmicos
da vida a equação fazendo.
E pássaros com cantos de microfone
antenados às redes de telecinese mundiais
voando sobre uma linha de espuma e ondas magnéticas.
E jasmins de sintéticos-perfumes brotando sob a luz das lâmpadas de sódio
ricas da fotossíntese que o carbono engendra
e plácidas de nutrientes que o adubo encontra.
Henrique de Shivas Gr.
Coleção POEMAS DO FUTURO
Assinar:
Postagens (Atom)