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04 janeiro 2012

Poema orgânico


Tentando fixar meu pensamento em uma idéia produtiva,
Engulo todo esse bolo de informações
Que descem ladeira abaixo do oco do meu eu.
E tentando extrair os nutrientes de cada coisa
Até o sumo de seu sumo.
Digiro todas as informações
Para reciclá-las e defecá-las num papel.

André Philipe

Receita


Massa

1 sociedade ignorante
1 porção de políticos corruptos

Recheio
1 porção de más intenções
1 pouco de interesses próprios (para polvilhar)
Preguiça e conformismo a gosto

Modo de preparo

Pegue a sociedade ignorante, ainda separada dos políticos corruptos, misture com a preguiça, o conformismo e guarde-a.
Em seguida misture os políticos corruptos com as más intenções e deixe-os descansar sem que ninguém os perturbe. Quando seus mirabulosos planos estiverem prontos, misture-os com a sociedade ignorante, agora também preguiçosa e conformada, até homogeneizar a massa, até que se camuflem entre si, depois polvilhe tudo com interesses próprios e pronto!!!
Terás uma sociedade como esta, indigesta e amarga, regida por políticos azedos, que te renderá porções de aborrecimentos, cânceres, infecções intestinais e diarréias suficientes para te alimentar por 4 anos, mas que parecerão 40.

André Philipe

27 dezembro 2011

Interferência Poética - Programa Canavial

Vídeo relato das açõe da "A Free Cana" realizada pelo MOVIMENTO SILÊNCIO INTERROMPIDO no dia 17-12-2011 na cidade de Goiana. A nossa festa literária, o apoderamento da proposta de FREE PORTO 2011.

André Philipe - Noite do Amparo

Vídeo relato das açõe da "A Free Cana" realizada pelo MOVIMENTO SILÊNCIO INTERROMPIDO no dia 17-12-2011 na cidade de Goiana. A nossa festa literária, o apoderamento da proposta de FREE PORTO 2011.

22 dezembro 2011

Produto dos Meios



No meio do fim é que está o começo,
No meio da caminhada aparece o tropeço.
É no meio da fruta que está o caroço,
No meio de nós? Esqueleto ou osso.
No meio da vida acontece a morte,
No meio da carne é onde se faz o corte.
No meio do ódio também há amor,
No meio do peito sentimos mais dor.
O despertar está no meio do sono,
No meio da rua está o abandono.
No meio da fome vem o alimento,
No meio da calma é que chega o tormento.
No meio do ventre nos fazemos presentes,
No meio das pernas nos sentimos potentes.
No meio da noite um poema me veio,
Multiplicou minhas idéias me trazendo receio.
O resultado eu não sei se é bom ou ruim,
O produto dos meios é estar perto do fim.

André Philipe

Má fama


Balas de palavras perdidas;
Balas de palavras e idéias perdidas;
Balas de palavras idéias e tempos perdidos;

Enquanto me alvejam...

As palavras se perdem,
As idéias se acabam,
O tempo passa
E a minha má fama,
Imensurávelmente, só cresce.

André Philipe

05 outubro 2011

Um ser pedra

Expor-se às pancadas do vento,
Tornar-se alma pura ao relento,
Travar caminhos como a angústia de um coração
Ou servir de escravo à ascensão,

Gritar palavras de dor e afago
Como o olhar do silêncio que há após um estalo,
Ser forte e segura gruta quando não bela
Ou da paisagem ser forma bruta e assim singela.

São mutações que exponho abertas,
Roubadas do cofre do tempo,
Quando nele buscava acalento,
Na experiência de também ser pedra.

André Philipe

13 setembro 2011

Bê a Bá

Com um bago eu me embriago
E pago.
O preço do que me esqueço
O avesso.
E disperso do excesso peso
Estou seco.
Fincado a agoar minha casca
Ressaca.

André Philipe

18 junho 2011

Donde Venho

Venho da terra do cangaço
Onde cavalo manco come poeira
E boi brabo termina no laço.
É um lugar de paisagens belas
Tem da preta e molhada
À palha seca e amarela.
A água boa de lá é ardente
Quem dela bebe cospe quente,
Dobra tudo que a gente vê
E passarinho nenhum se atreve a beber.
Apesar da vida sofrida
Levada com o pé da barriga
Lá, quem precisar de ajuda
Terá sempre quem lhe acuda.
Mas donde venho o que é mais de se admirar
Existe de leste a oeste,
E que em qualquer lugar que chegar
Tem sempre um cabra da peste.

André Philipe

17 abril 2011

Toc toc

É mais um poema em minha porta.
São palavras amontoadas,
Em uma orgia generalizada,
Que só se escrevem por linhas tortas.

Os dígrafos se divorciam,
As sílabas em adultério
Enterram a norma culta num cemitério
E os hiatos, antes só, agora procriam.

E eu, com muita cautela,
No meio daquela orgia literal,
Sem me deixar levar pelo carnaval,
Apenas sentei e escutei todas elas.

André Philipe

17 março 2011

Verdade em 7

Se 7 vidas eu tivesse,
7 caras não teria.
Tudo de 7 eu comprava,
Tudo em 7 eu teria.
7 mulheres arrumadas,
7 x 7 crias.
Se 7 inimigos eu tivesse,
7 males não plantaria,
Pois por mais que em 7 eu tivesse
7 palmos me esperaria,
Mas 7 bem eu plantava!
Pois 7 bem me abraçaria.
Mesmo que o 7 me atentasse,
Jamais eu mentiria.
Se 7 milhões eu ganhasse,
7 milhões comeria,
7 dias eu cantava,
Por 7 dias eu beberia,
E se 7 mil anos eu vivesse,
Por 7 mil anos escreveria.

André Philipe

28 fevereiro 2011

O meu eu

O meu eu é como e como um Zeus
que bêbado se perdeu
Sem saber o que era seu
Nem ao menos que era um Deus.
É como uma peça esquecida num museu
Ou uma cor desanimada que o tempo esmaeceu.
Mas como um mendigo que o mundo esqueceu
E que nunca despreza o pouco que alguém lhe deu
levo nas costas o peso do meu eu
Como um soldado que não abandona um companheiro seu
Tentando reanimar aquele que já morreu.

André Philipe

Minha última noite

Oh Amável vida!
Que a cada momento me consome,
Brindo tudo em teu nome
Celebrando minha partida.
Ansioso, cobiço meu apogeu
Cheio de nada e de tudo
Como a palavra proferida por um mudo
Por já não ter mais o que é meu.
Sei que o meu destino é merecido
Como o do livro que nunca foi lido.
E com a certeza de que nada irá me visitar
Eu confesso! Irei para o nada que existe em todo lugar.

André Philipe

21 fevereiro 2011

[sem título]

Sempre sabendo saber, subir e sofrer,
Sigo sentindo, sem sombra, som e sentido,
Sorrindo, sambando, sangrando e sumindo.

Sentado sozinho em suma sina,
Sujo, sóbrio e soberano,
Sirvo sonâmbulo a sonhos sutis,
Seguro segredos santos a singir
Sintonias sísmicas de sinos suburbanos.

Simétricos sons simultâneos,
Sintetizam sigilos subterrâneos,
Saboreiam sais subcutâneos
Secando os sabores são das senzalas.

Sórdida sacarose sacramentada,
Suor simboliza sua semelhança,
Silêncio simplifica suas sinistras substâncias,
Semestres selvagens e senhores sem semblantes.

Séculos e séculos se somaram,
Socorro soaram em salas sem sanar
E simplesmente sigo surdo a solfejar,
Esta sistemática sinfonia de Ss (éssis).

André P.
Goiana, 11/02/2011

Aos que me dizem, me olham e me tratam...

É assim que me dizem;

É assim que me tratam;

É assim que me olham...

Para muitos, não passo de um depósito de dejetos

Onde urinam e defecam

Olhares confundidos,

Pensamentos não concluídos...

E entre descargas de sentimentos descomidos,

Consumo todos os seus insumos e sumo.

E é assim que os vejo;

É assim que os digo;

É assim que os trato...

O alimento que me dão não é digno de um prato

Mas ainda os considero uma fonte de esterco que me aduba.

E eu, ainda que pareça mendigar ajuda,

Sou um rico catador de lixo,

Louco das pancadas do viver,

A procurar, reciclar e devolver

As merdas que eles puseram no mundo.


André P.
Goiana, 07/02/2011

06 fevereiro 2011

ORTOGRAFIA OFICIAL

Num país de problemas entre aspas
E frustrações com reticências,
É preciso munir-se com hífens
E idéias agudas,
Se proteger com vírgulas nos pés
E circunflexo na cabeça,
Para ver se conseguimos adiar um pouco
O nosso pontual final.

André P.

25 janeiro 2011

Distinto Instinto

Não sou profeta, louco, demônio ou judeu.

Nasci asceta como um Deus,

Na certa,

Sou apenas eu.


Caminho sem tempo,

Perturbo os ares,

Saboreio o vento,

Devoro olhares...

Sou ser de céu e vagem

Portanto, céuvagem

Meu instinto é distinto.

Eu construo, instruo e me extingo.

Sentir aguçado, sorte discreta,

Não possuo tesouro, urna secreta.

Para quê guardar o que a vida à mim excreta?

Consumo tudo num gozo.

Sou Poeta!!!


André P.