10 novembro 2009

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Senhores donos da terra
Juntai vossa rica tralha
Vosso cristal, vossa prata
Luzindo em vossa toalha
Juntai vossos ricos trapos
Senhores donos da terra
Que os nossos pobres farrapos
Nossa juta e nossa palha
Vêem vindo pelo caminho
Para manchar vosso linho
Com o barro de nossa guerra
Nossa batalha sangrenta
Como diria Rosildo
Em Quixote e um Sancho Pança
Ou um Sancho Pança e um Quixote,
Pois não vale muito a morte
Mas a glosa que se entrança.
O verso mais que o poeta.
O canto mais que a viola.
Mais que a ida e do que a volta
A viagem, a descoberta.

Marcelo Arruda

Tropeço

Tropeço desde cedo em abraços, medos,
Cabeças, canaletas, em repetidas notícias, polícias
Na pedra infundada chamada Goiana.

Tropeço nas pontes, caio no rio
Pego à mão pássaros no açude, que ao soltá-los
Disperso minha tristeza e assim posso suportar outro dia

Tropeço, já não tenho dedão ou pé.
Cotó até os joelhos, perto do que pertenço
Barro, lama, saibro, asfalto.

Sou como flor que brota do estrume,
Que não importa, não comporta requinte,
Flor de mofo, alucinógeno, deveras.

Philippe Wollney

O Amor

Se o amor fosse uma música
Cantaria bem alto,
Até sentir o grito das cordas vocais.
Faria o possível,
Para encaixar palavras românticas.
Buscaria nos acordes um consolo
E nos sons agudos um choro.
Ao invés da dor e solidão,
Despertaria carinho e alegria.
Batucaria todos os tambores
Para formar um único nome.
Escolheria apenas uma
E faria dela a melhor canção.
Configuraria o duplo sentido
Para um único e verdadeiro propósito.
Caberia ao compositor
O dever e o desejo de escolha.
Escutaria com muita atenção,
Cada verso, cada refrão...
Com um significado útil
Passar uma mensagem
Que com o decorrer do tempo
Não se apague.
Mas, se o amor realmente fosse uma música
Faria dele o meu melhor momento.

Pollyanna Gomes

Rir pra não chorar.

À noite as lágrimas saem dos meus olhos.
Acordo na manhã triste,
e elas continuam a escorrer pelo meu rosto.
A alvorada surge nublada pela minha nuvem de tristeza.
A chuva cai.
O meu pranto lava.
Está frio.
Meu coração congelado sangra.
Minha angústia dilacera meu corpo inteiro.

Sento na sala de estar
e ouço minhas raízes negras vibrarem nos meus ouvidos.
Me recomponho de novas forças.
Sorrio pra não chorar ouvindo o mestre Cartola.
“Eu quero nascer, quero viver.”
Enquanto vida eu tiver,
vou continuar a rir pra não chorar.

Meu sol sempre nascerá da profunda escuridão.
Iluminará meus caminhos, meus sonhos, meus pensamentos...
Cantarei minha bela canção desafinada.
Sentirei a fragrância da alegria.
Chorarei a dor da solidão que sucumbirá afogada
no oceano do meu sorriso alto e reluzente,
meu sorriso universal e eterno.
Sorri, estou sorrindo agora e logo sorrirei,
porque enquanto vida eu tiver,
vou continuar a rir pra não chorar.

Sandro Gonzaga

Caminhos convergentes

Morte e vida.
Duas faces da mesma moeda.
Faz-se o precipício.
Resulta-se a queda.
O nascimento traz o desenlace.
Em seu bojo
Engano, pensar ser a morte.
Da vida o oposto.
Ao contrário, são intrínsecas.
Entrelaçadas.
Como a ostra e a pedra
Permanecem abraçadas.
Vida, veneno indispensável.
À existência da morte.
Como o azar é o gêmeo.
Irmão maldito da sorte.

Sebastiana de Lourdes

In-Verso

Verso o verso do corpo,
A cara do universo como simples equações.
Verso o tempo compassante,
Verso e tempo que já vivi,
O tempo que ainda não sei,
Mas sei que ele será como o sonho ainda não despertado,
O sonho ainda não vivido,
O sonho ainda não versado.
Verso os versos de paz e de loucura,
Aqueles que saem dos esgotos e das praças.
Verso os sussurros de dor e de prazer
Dos reis sem coroa,
Dos vigilantes cegos do destino,
Dos que não podem ser absolvidos ou compreendidos,
Apenas versados.
Verso o inverso do verso,
Como o espelho que mostro quem realmente sou.
E quem serei?
Eu serei como um simples rabisco, uma simples sombra
No lugar onde se encontra
A leveza e a perfeição de meu ser.

Thiago Albert

Casa dos ratos

Enquanto minha vó perde a visão.
Burlo as regras da sobrevivência.
Vou parar na feira com um facão.
E rasgo o papel de parede da inocência.

Ajoelho-me na Misericórdia.
Rezo uma oração.
Que quebre as correntes da discórdia.
Que amole meu facão.

Desço na Treze de Maio.
Só para me libertar.
Agora anda caindo raio.
O meu facão já quer matar.

Desço na subida do Rex.
Ao lado do grande vários lados.
Aonde já preguei com durex.
Que no carnaval desceremos melados.

Chego na rua direita.
Onde tudo acontece errado.
Onde um bandido se enfeita.
Quer um cargo? Está contratado.

E na frente da biblioteca municipal.
Que é da Maçonaria.
A câmara quebra um maior pau.
Só por causa de uma poesia.

Vocês que elaboram as leis.
Não passam de palhaços.
Sentados, rainhas e reis.
Roendo as roupas dos ratos.

Vidal de Souza

Não terá fim.

Em minha insônia os meus sonhos são presentes.
Não como o cansaço de ver o descaso dos olhos que não me conhecem mas sim,
como o teu amor que me dá forças e em plena tempestade me aquece.
Em meu sono os meus sonhos são futuros porque o delírio mais real que já pôde existir é a morte que vai manipulando as horas para convencer corações de que nada é em vão.
Por isso guardei o passado em uma fotografia e prendi a velhice no espelho para te ter sempre comigo, assim como os sonhos, como o passado, o futuro, o começo e o fim, a vida e a morte, assim como Deus.

Wendell Nascimento

08 novembro 2009

Movimento Portal Alternativo

BALÉ PERNAMBUCO SIM SENHOR



COCO DA CELPE (nazaré da mata)



POETAS SILÊNCIO INTERROMPIDO (goiana)



POETAS SILÊNCIO INTERROMPIDO (goiana)



HOMENS DE BARRO (tracunhaém)



PRISMA ORBE (goiana)


edição do Movimento Portal Alternativo, com sua proposta de diversidade cultural, apresenta grupos diversificados, parte da musicalidade de raiz (Coco, Maracatu); traz a transfiguração sutil do “balé pernambuco sim senhor” com a influências das Brincadeiras de Reisado; e desnuda a noite com a efervescência das bandas de Rock’n’Roll, entenda-se efervescência pelas atitudes das bandas incendiárias destes canaviais, o grito desalmado, beirando uma provocativa atitude anárquica de juventude com aplificadores/guitarras/overdrives; o ócio que nesta região se transforma em indignação, protesto, berros, desespero distorcido a base de fuzz.

Os poetas do Silêncio Interrompido vestiram-se da sub-derme, músculos e tendões desnudos de uma poesia questionada se vai levar à algum lugar. Ah... o caldo açucarado fervilhante das caldeiras endureceu como os homens. Por estas redondezas CANA // CAIANA // CAIADA // DE SANGUE ...
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06 outubro 2009

Movimento Portal Alternativo



31 DE OUTUBRO, EM NAZARÉ DA MATA (no parque dos lanceiros) AS 16:00h

ônibus grátis saindo de Goiana na praça joão pessoa (em frente da caixa econômica) 16:00h

parque dos lanceiros
16:00h exposição de artes
17:00h maracatu mirim
17:50h poetas [silêncio interrompido]
18:00h balé pernambuco sim senhor
18:50h poetas [silêncio interrompido]
19:00h coco da celpe
19:50h poetas [silêncio interrompido]
20:00h H.C canavial e homens de barro
21:10h poetas [silêncio interrompido]
21:20h rubros e tuvos
22:30h poetas [silêncio interrompido]
22:40h rek:d´helfos:immortal force
23:50h poetas [silêncio interrompido]
00:00h prima orbe
00:50h poetas [silêncio interrompido]
01:00h insano
01:40h cabeças podres

mais informações no [ http://mpalternativo.blogspot.com ]