Foi nas décadas de 70 e 80
No município de Goiana
Vou contar uma estória
Para estes povos bacana
A terra é muito fértil
Mas o povo só planta cana
Existiu ali um ser estranho
Que era uma sensação
Seu nome ficou conhecido
Pois chamavam de ZEFA-DEÃO
Andava sempre falando só
De chapéu, guarda-chuva e um cajado na mão
O cinema era ponto de encontro
De uma geração privilegiada
A violência era pouca
Podia-se andar pelas calçadas
Hoje esta muito diferente
Todos atentos para não serem roubadas
Mas o que eu quero dizer
É lembrar, de ontem, hoje e amanhã
De tanto filme bom
Que assistir na tela do Urubatan
Terminada a primeira secção
Já anunciava o filme de amanhã
As saudades são tantas
Que eu nem gosto de lembrar
Tantas gentes interagindo
E outras querendo sentar
A parte debaixo logo enchia
E logo todos subiam para o primeiro andar
Um detalhe curioso
Era a primeira cadeira do andar direito
Pois ninguém queria sentar
E si tinha o maior respeito
Pois era quase cativa
E quem sentava, tinha que ter peito
Hoje está esclarecido
É se sabe o que é
Mas no tempo passado
Era difícil saber se homem ou mulher
Estou falando do ser
Que era nativo de Condado ou Itambé
Vamos ficar atento na estória
E vocês tenham convicção
Começamos a descrever agora
A vivencia de ZEFA-DEÃO
O bicho era feioso
E parecia um boi tungão
Certa vez um rapaz sem saber
Ficou na cadeira a sentar
Ele veio logo dizendo
Este gostoso, pode se levantar
O cara demorou a sair
Ele quis logo lhe maltratar
Canal 100 apresenta
Todos corriam ligeiro
Para ver parte dos clássicos
Que acontecia em SAMPA E RIO DE JANEIRO
Dos grandes jogadores e craques
Goleiros e artilheiros
A modernidade modifica as coisas
Que não volta já mais
Como a tranqüilidade na ruas
As pessoas transmitindo paz
Hoje está tudo diferente
É o ser humano e voraz
Quem sabe que SPLISH SPLASH?
Não foi dado no Urubatan
E alguém ouvindo aquilo
Não passou copia de manhã
Para espirar a letra da musica
Dos cabeludos cobertos de lã
Uns iam assistir os filmes
Outros iam para sarrar
Aqueles mais comportados
Si diziam namorar
Depois que terminava a comedia
Queriam logo casar
Como todo vivente
Ele tinha sua moradia
Até hoje ninguém sabe
Se era sua casa ou si escondia
Mas também era notado
Quando chegava no buraco da gia
Quando foi conhecer a praia
Foi transportado numa rural
O povo queria saber quem ele é
E ele quase morre no pau
Pois queriam descobrir o sexo
Daquele ser anormal
Então pedindo socorro
Logo veio gente ajudar
Não deu tempo para ver nada
Ele logo ficou a comentar
O negocio nem ta mole nem ta duro
E também não vou mostrar
Ate hoje não se sabe
E ficou a interrogação
Se era macho ou fêmea
Aquela composição
E assim continuo sendo conhecido
Com o nome de ZEFA-DEÃO
Sua ultima moradia
Ficava perto do cabaré
Era pau para todas as obras
Seja para homem ou mulher
Quem quisesse que mexesse com ele
Quando estivesse cheio de mereré
Morava em um lugar conhecido
Que se chamava beco das pedras
O cara era invocado
E só gostava de dinheiro em cedas
E quando pagava com outro tipo
Dizia que não queria aquela merda
Às vezes era engraçado
Quando ficava sentado no banco da praça
Fumando feito uma caipora
Muitas vezes fazendo pirraça
E para chamar os cuidados
Gostava de picolé de cachaça
O prédio ainda existe
É um ponto comercial
Do capitalismo selvagem
Que querem acaba com cultural
Pois daqui algum tempo
Não vai existir nem babau
Quem é que não lembra
Digo mulheres e maridos
Do filme que foi recorde de publico
Que foi Império dos Sentidos
De um amor compulsório
Por nós nunca assistidos
A telona esta difícil no interior
Só existe alguma na capital
Os filmes são piratiados
Mas tudo hoje é quase normal
As leis só existe para os pobres
E quem falar leva pau
O cinema viveu nossas adolescências
E hoje somos cidadão
Das boas lembranças na memória
E também das recordações
O tempo passa e não envelhece
Vamos sempre lembrar de tu, Urubatan e Zefa-deão.
Carlos Antonio Vieira
12 novembro 2009
10 novembro 2009
Crise
Bush deixou Obama
De corda bamba
Agora tem que
Se sacudir no samba
Pra crise sair de banda
E voltar com uma nova chama
Como os brasileiros
Acessos cheios de esperanças
Ademauro Coutinho
De corda bamba
Agora tem que
Se sacudir no samba
Pra crise sair de banda
E voltar com uma nova chama
Como os brasileiros
Acessos cheios de esperanças
Ademauro Coutinho
ASILO
Sentados com a solidão, de frente ao corredor
Enfileirados, desprezados com a calmaria do dia.
Só esquecimentos, rugas e o silêncio...
O Silêncio que incomoda os pássaros que sobrevoam seus espaços.
A nostalgia não se sente mais,
Cadeiras de rodas, bancos....
senhoras simpáticas e caladas.
A marca da solidão é a referência deste lugar,
que se envelhece rápido demais.
melancolia nos meus olhos.
e lá fora o mundo acontece.
Alexandre Sá
Enfileirados, desprezados com a calmaria do dia.
Só esquecimentos, rugas e o silêncio...
O Silêncio que incomoda os pássaros que sobrevoam seus espaços.
A nostalgia não se sente mais,
Cadeiras de rodas, bancos....
senhoras simpáticas e caladas.
A marca da solidão é a referência deste lugar,
que se envelhece rápido demais.
melancolia nos meus olhos.
e lá fora o mundo acontece.
Alexandre Sá
Banquete de um verme
Chegaste a mim como um filho ingênuo e ingrato
Que desprovido de todo sentimento humano,
Suga minha essência como um delicioso prato
E eu sem perceber engano-me, esgano-me e rasgo
O coração que despercebido abrigava um rato
André Philipe
Que desprovido de todo sentimento humano,
Suga minha essência como um delicioso prato
E eu sem perceber engano-me, esgano-me e rasgo
O coração que despercebido abrigava um rato
André Philipe
À MEDIDA QUE O TEMPO PASSA
Não sei o que se passa,
Por onde passo
Tudo se descompassa
À medida que o tempo passa
Porém, caminho passo a passo
Sentindo no peito o peso do descompasso.
E passo...
Pois pensando no passado e percebendo seu compasso
Sei que o descompassado se compassa
À medida que o tempo passa.
André Philipe
Por onde passo
Tudo se descompassa
À medida que o tempo passa
Porém, caminho passo a passo
Sentindo no peito o peso do descompasso.
E passo...
Pois pensando no passado e percebendo seu compasso
Sei que o descompassado se compassa
À medida que o tempo passa.
André Philipe
DESENHO
DESENHO
GOSTO DOS TRAÇOS FORTES
DO HOMEM (IN)SENSÍVEL NAS (RE)FEIÇÕES
COM PONTA FINA DO LÁPIS
N´ALMA
FURA FERE RISCA RASGA
PINTOR
AMA
DOR
AMANTE
EM CICATRIZES INCURÁVEIS
carol vitall
GOSTO DOS TRAÇOS FORTES
DO HOMEM (IN)SENSÍVEL NAS (RE)FEIÇÕES
COM PONTA FINA DO LÁPIS
N´ALMA
FURA FERE RISCA RASGA
PINTOR
AMA
DOR
AMANTE
EM CICATRIZES INCURÁVEIS
carol vitall
[...]
Tive um sonho estranho
Um estranho me olhando
Misteriosamente
Me lendo
Lembro!
Deus que me valha!
O frio no pescoço,
O rastro do vampiro,
A rede,
O fio
da navalha.
Cris Sousa
Um estranho me olhando
Misteriosamente
Me lendo
Lembro!
Deus que me valha!
O frio no pescoço,
O rastro do vampiro,
A rede,
O fio
da navalha.
Cris Sousa
O desamor
Um pedaço de papel amassado
Revelou as dores do assombrado
Tijolos desalinhados
O arquiteto fez tudo errado
A porta podre
Balança, irrita, cansa
Como se estivesse dotada de vingança
As cores clareiam, envelhecem
Me chateiam
E se envaidecem
O marrom já não tem o mesmo tom
É amargo
O que um dia fora bombom
Olhos amedrontados!
Quem deixou os quadros desalinhados?
Estou ficando louco
Ou estão me olhando torto?
Vai dizer a eles
Que um dia alguém os amou!
Que nem sempre fui frio
Muitas noites exalei calor
Que já usei o pincel
Minha boca já escorreu mel
Que já pintei muitos amores em tom pastel
No mesmo papel
Que hoje descrevo
Meu destino cruel.
Geisiara
Revelou as dores do assombrado
Tijolos desalinhados
O arquiteto fez tudo errado
A porta podre
Balança, irrita, cansa
Como se estivesse dotada de vingança
As cores clareiam, envelhecem
Me chateiam
E se envaidecem
O marrom já não tem o mesmo tom
É amargo
O que um dia fora bombom
Olhos amedrontados!
Quem deixou os quadros desalinhados?
Estou ficando louco
Ou estão me olhando torto?
Vai dizer a eles
Que um dia alguém os amou!
Que nem sempre fui frio
Muitas noites exalei calor
Que já usei o pincel
Minha boca já escorreu mel
Que já pintei muitos amores em tom pastel
No mesmo papel
Que hoje descrevo
Meu destino cruel.
Geisiara
Filósofo Egoísta
Trabalhei por mim
Apenas por minha própria recuperação
Em vez de médico tornei-me escrivão
Costumava salvar vidas, ou não?
Quis deixar a monotonia que é esta profissão
E parti em busca de algo que me traz satisfação
A chance me veio assim em vão:
- Bendito anuncio na funerária!
Era comprida a carga horária
Pra você ver, hoje existe explicação
Até para morrer!
Era exatamente como quis
Sempre as mesmas coisas
Simples como um ponto:
“morreu fulano, morreu e pronto!”
Tornou-se emocionante,
Desculpe, mas me diverti
Vendo como num encanto
De olhinhos tão orgulhosos
Escorria tanto pranto
Meus inimigos morreram todos
E escrevi as notas de falecimento de cada um
Foi fácil!
Mas confesso, as dificuldades me vinham a nado
Quando vi meus amigos
Indo pro mesmo buraco.
Geisiara Lima
Apenas por minha própria recuperação
Em vez de médico tornei-me escrivão
Costumava salvar vidas, ou não?
Quis deixar a monotonia que é esta profissão
E parti em busca de algo que me traz satisfação
A chance me veio assim em vão:
- Bendito anuncio na funerária!
Era comprida a carga horária
Pra você ver, hoje existe explicação
Até para morrer!
Era exatamente como quis
Sempre as mesmas coisas
Simples como um ponto:
“morreu fulano, morreu e pronto!”
Tornou-se emocionante,
Desculpe, mas me diverti
Vendo como num encanto
De olhinhos tão orgulhosos
Escorria tanto pranto
Meus inimigos morreram todos
E escrevi as notas de falecimento de cada um
Foi fácil!
Mas confesso, as dificuldades me vinham a nado
Quando vi meus amigos
Indo pro mesmo buraco.
Geisiara Lima
POEMA DEGOLADO
Posta a pratos limpos
A cabeça decepada
Do poeta eufórico
Do poema ilógico
Por ser carne e chão
Cremado sejam todos
Os escritos as blasfêmias
Espelhos falsos que dizem
Traduzir lama e gritos
Rasga o poeta vivo
Negras vestes do rei
Ele corta e sangra
Não o deixem cantar
Ele corta e sangra
Dizia de cegos e mortos
Aludia lamentações
Quando hipocrisia era prato
Predileto dos reis
Alegoria de iludido povo
Por que amava avesso
Em verso espada
El rei sacramentado
Aos gritos estampidos
Quero o poeta morto
A cabeça do porco
Aos cães danados
Quebrem o verso faca
Façam-no calado
Ponham sobre a mesa
Em bandeja posta
A cabeça submersa
Para que sirva de exemplo.
José Torres (Verso Avesso/1987)
A cabeça decepada
Do poeta eufórico
Do poema ilógico
Por ser carne e chão
Cremado sejam todos
Os escritos as blasfêmias
Espelhos falsos que dizem
Traduzir lama e gritos
Rasga o poeta vivo
Negras vestes do rei
Ele corta e sangra
Não o deixem cantar
Ele corta e sangra
Dizia de cegos e mortos
Aludia lamentações
Quando hipocrisia era prato
Predileto dos reis
Alegoria de iludido povo
Por que amava avesso
Em verso espada
El rei sacramentado
Aos gritos estampidos
Quero o poeta morto
A cabeça do porco
Aos cães danados
Quebrem o verso faca
Façam-no calado
Ponham sobre a mesa
Em bandeja posta
A cabeça submersa
Para que sirva de exemplo.
José Torres (Verso Avesso/1987)
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