Sou o grito que ninguém gritou
O soar das doze trombetas
A ressurreição daqueles que não foram e vivem a vagar
Sou ele, aquele que ninguém ouviu falar
O que enviou fé através da dor e sofrimento alheio
Sou o vento frio que traz calafrio e revive pensamentos
Que nunca foram esquecidos
Sou Judas, sou Abraão, sou aquele que o renegou três vezes,
O desconhecido, o inconfundível,
A sombra de um feto em formação, a escuridão,
O que vaga a procura de sangue novo
O que não deixa suas vítimas escapar,
O impiedoso, o abstrato,
Aquele cujo o nome não pode ser pronunciado.
Aluizio Fidelis
01 outubro 2009
REINO
Memória extensa ao alcance de tudo que se perturba e deplora
Antro de discórdia, cubículo de chão escavucado e imundo
Restos em retalhos, faces do passado, expressão de tormentos
Vividos entre labirintos e intimidades.
Enclausuramento, abstrações da mente, mundo desconhecido
Invisível aos olhos e pensamentos.
Cria o próprio ninho de refúgio.
Aluizio Fidelis
Antro de discórdia, cubículo de chão escavucado e imundo
Restos em retalhos, faces do passado, expressão de tormentos
Vividos entre labirintos e intimidades.
Enclausuramento, abstrações da mente, mundo desconhecido
Invisível aos olhos e pensamentos.
Cria o próprio ninho de refúgio.
Aluizio Fidelis
Antes do mesmo
Cada passo de uma vez
Não se pode ir, mas irei.
Irei em busca do que não sei.
Caminharei por lugares
Onde o desconhecido habita
E faz jus ao seu nome.
Cenário da contradição
Traz consigo uma vasta ilusão
Triada para despertar
Tudo aquilo que está arquivado
Em minha memória.
Lembranças, fleches, alucinações,
Labirinto estreito repleto de aparições
Aonde revejo tudo
Até o passar do presente, do futuro.
Até o teatro que em outra hora tive que atuar,
O mesmo que tinha uma passarela
Que caminhei há uns séculos atrás.
O mesmo teatro que presencio
O horror de vida ausente distorcida.
Ressentimentos e mágoas abismais,
Submerso e em traze
Desperto e percebo
Que tudo isso não passou
De um sonho confuso que sonhei
Antes de dormir.
Estagnado, perturbado e cansado.
Tento refletir
Mas não consigo, e, novamente
Começo a divergir para um mundo
Aonde não conheço nada,
Só marcas registradas
De que aqui ninguém passou.
E desencontro tudo
Como uma profecia escrita
Por um velho senhor em seu leito de morte.
Retorno ao ponto de saída
E relembro que não houve partida.
No estresse pós-traumático
Esqueço e durmo
Mas os problemas apenas começaram.
Os pesadelos vêm para enlouquecer-me,
Atormentar, levar minh’alma a outro lugar
Distante, aonde sou o mais fraco
Dos seres.
Aluizio Fidelis
Não se pode ir, mas irei.
Irei em busca do que não sei.
Caminharei por lugares
Onde o desconhecido habita
E faz jus ao seu nome.
Cenário da contradição
Traz consigo uma vasta ilusão
Triada para despertar
Tudo aquilo que está arquivado
Em minha memória.
Lembranças, fleches, alucinações,
Labirinto estreito repleto de aparições
Aonde revejo tudo
Até o passar do presente, do futuro.
Até o teatro que em outra hora tive que atuar,
O mesmo que tinha uma passarela
Que caminhei há uns séculos atrás.
O mesmo teatro que presencio
O horror de vida ausente distorcida.
Ressentimentos e mágoas abismais,
Submerso e em traze
Desperto e percebo
Que tudo isso não passou
De um sonho confuso que sonhei
Antes de dormir.
Estagnado, perturbado e cansado.
Tento refletir
Mas não consigo, e, novamente
Começo a divergir para um mundo
Aonde não conheço nada,
Só marcas registradas
De que aqui ninguém passou.
E desencontro tudo
Como uma profecia escrita
Por um velho senhor em seu leito de morte.
Retorno ao ponto de saída
E relembro que não houve partida.
No estresse pós-traumático
Esqueço e durmo
Mas os problemas apenas começaram.
Os pesadelos vêm para enlouquecer-me,
Atormentar, levar minh’alma a outro lugar
Distante, aonde sou o mais fraco
Dos seres.
Aluizio Fidelis
Introduzir-se
Viestes a mim como filho bastardo
Chegastes igual a um mendigo
Recolhendo os trapos de um outro alguém que aqui passou
Contastes histórias mirabolantes e cabulosas
Que não convenceram aquém a tu contou
Mistificastes árvores, seres, pensamentos e saberes
Destes o lado avesso do entender
Criastes mundos paralelos repletos de utopias
Rebatestes teorias
Usurpastes o direito de todos compreenderem
Falastes pelos cotovelos em som de sinfonia
Ao mesmo tempo em que perguntavas respondias.
Qual o teu objetivo no meio destas pessoas frias
Cujo o propósito é ver teu desespero e agonia?
Aluizio Fidelis
Chegastes igual a um mendigo
Recolhendo os trapos de um outro alguém que aqui passou
Contastes histórias mirabolantes e cabulosas
Que não convenceram aquém a tu contou
Mistificastes árvores, seres, pensamentos e saberes
Destes o lado avesso do entender
Criastes mundos paralelos repletos de utopias
Rebatestes teorias
Usurpastes o direito de todos compreenderem
Falastes pelos cotovelos em som de sinfonia
Ao mesmo tempo em que perguntavas respondias.
Qual o teu objetivo no meio destas pessoas frias
Cujo o propósito é ver teu desespero e agonia?
Aluizio Fidelis
Cotidiano
Acorda
Corre, pára.
Engole,
Corre, pára.
Trabalha,
Corre, pára.
Descansa,
Corre, pára.
Corre, corre, pára.
Corre, pára, corre, pára.
Corre,
Morre,
Pára.
Cris Sousa
Corre, pára.
Engole,
Corre, pára.
Trabalha,
Corre, pára.
Descansa,
Corre, pára.
Corre, corre, pára.
Corre, pára, corre, pára.
Corre,
Morre,
Pára.
Cris Sousa
poeta
poeta
Píndaro Barreto: rimas
não consigo – as rimas – só as incorretas
do barro – o homem
e voltou ao barro – poeta não morre
somem:
um poeta vai para as estrelas – dorme
minhas idéias foram sendo
homem
andando
correndo
voando
Carol Vitall
Píndaro Barreto: rimas
não consigo – as rimas – só as incorretas
do barro – o homem
e voltou ao barro – poeta não morre
somem:
um poeta vai para as estrelas – dorme
minhas idéias foram sendo
homem
andando
correndo
voando
Carol Vitall
Cantar mais que preciso
Dessas coisas sem limite
Canta o poeta a riste
Coisas que ao verso se prendem
Por ser trama e entranha
Não diz o homem cru de terra
Com a boca da despeja
Nem com olhos petrificados
Diz sim o coração
Com a perfeita marcação
Ponto a ponto fraseado
Rasgando garganta afora
Dessas coisas sem limite
Diz o poeta como abortado
Que parí-lo é preciso
Mesmo sangrando o poema
José Torres
Canta o poeta a riste
Coisas que ao verso se prendem
Por ser trama e entranha
Não diz o homem cru de terra
Com a boca da despeja
Nem com olhos petrificados
Diz sim o coração
Com a perfeita marcação
Ponto a ponto fraseado
Rasgando garganta afora
Dessas coisas sem limite
Diz o poeta como abortado
Que parí-lo é preciso
Mesmo sangrando o poema
José Torres
Versos de um suicida
A conta, que eu parto já!
Quero saber quanto devo
Ao mundo. Quero pagar,
Pois sei que devo, não nego.
Parto. Sei que sou o eterno
Pagante deste banquete
Conhecido por moderno
Capitalismo burguês.
Pago e deixo pra vocês
A dívida pra rolarem
Como e pra quando quiserem
Os pagantes pratos serem.
Marcelo Arruda
Quero saber quanto devo
Ao mundo. Quero pagar,
Pois sei que devo, não nego.
Parto. Sei que sou o eterno
Pagante deste banquete
Conhecido por moderno
Capitalismo burguês.
Pago e deixo pra vocês
A dívida pra rolarem
Como e pra quando quiserem
Os pagantes pratos serem.
Marcelo Arruda
Por cima do literato
Sobre livros, nós
Gemido em cima dos livros
Que falam do natural
Estados naturais e
De uma espécie estranha
Chamada amor.
Philippe Wollney
Gemido em cima dos livros
Que falam do natural
Estados naturais e
De uma espécie estranha
Chamada amor.
Philippe Wollney
Medo.
O homem de memória
lembra do laço que se desfez.
Atrás da história
segue com passos vacilantes
pela rota escolhida.
O vestígio ficou para trás.
O agora é resultado de outrora.
Os canais estão abertos...
Chegou à hora de ir embora
novamente pelas ruas provincianas.
Instáveis somos conduzidos
por efeitos produzidos
nas situações cotidianas.
A percepção está aflorada
para não tropeçar nas pedras.
O bem e o mal andam juntos
na natureza, nas ações humanas...
O desespero e a esperança...
O desespero queimou num lugar...
Sua fumaça subiu para longe...
A esperança passeia pela sala
senta numa cadeira
à mesa ornamentada.
O espelho que reflete
através da janela aberta
um mundo superficial e artificial:
Casas, antenas, postes...
Aquela estrela apagada pela nuvem densa
que se aproxima.
A chuva vem com luzes e sons
para esfriar a noite.
Pensamentos, descobrimentos...
O inimigo nunca se separa de você.
Onde está indo?
O que fazes?
A tempestade vem...
Está levando consigo tudo por onde passa.
Você fica ou vai?
Eu não quero me molhar,
posso ficar resfriado.
Sandro Gonzaga
lembra do laço que se desfez.
Atrás da história
segue com passos vacilantes
pela rota escolhida.
O vestígio ficou para trás.
O agora é resultado de outrora.
Os canais estão abertos...
Chegou à hora de ir embora
novamente pelas ruas provincianas.
Instáveis somos conduzidos
por efeitos produzidos
nas situações cotidianas.
A percepção está aflorada
para não tropeçar nas pedras.
O bem e o mal andam juntos
na natureza, nas ações humanas...
O desespero e a esperança...
O desespero queimou num lugar...
Sua fumaça subiu para longe...
A esperança passeia pela sala
senta numa cadeira
à mesa ornamentada.
O espelho que reflete
através da janela aberta
um mundo superficial e artificial:
Casas, antenas, postes...
Aquela estrela apagada pela nuvem densa
que se aproxima.
A chuva vem com luzes e sons
para esfriar a noite.
Pensamentos, descobrimentos...
O inimigo nunca se separa de você.
Onde está indo?
O que fazes?
A tempestade vem...
Está levando consigo tudo por onde passa.
Você fica ou vai?
Eu não quero me molhar,
posso ficar resfriado.
Sandro Gonzaga
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