Quantas vezes fico à porta de minha cela
A contemplar seus movimentos através da vidraça
O seu quarto iluminado com ternura e graça
Extasiado fico ao olhar seu perfil à luz da vela
Assim me deixo estar até a luz se extinguir
São os momentos mais felizes de minha vida
Nesses instantes que a alma embevecida
fica, de um amor que nunca poderei possuir
Então, desejo que você não apague a luz
Pois se sua imagem ficasse sempre a refletir
Pelo menos continuaria a aludir
Esses momentos preciosos que conduzem
A minha febril imaginação a conceber
A hipótese de mais que a tua sombra ver
Mayra Le Fay
01 dezembro 2008
A CIDADE
É nesta cidade que sufoca
Que esgana quem tenta
Que pisa na cabeça
Dos que ousam alteridade
Que eu saio.
Na noite há pedra e chama.
Nas casas há barro e fome
Nos olhos, rasos, o medo.
O desespero alérgico
Que aleija da porta para fora.
Que angustía da porta para dentro.
Na noite existem torres e holofotes,
Bares e falta de propósito
Bares e algo outra vez
Bares, a noite desaba sobre o balcão
Bares, represa de fé profana.
A noite nesta cidade
Nos priva de nós mesmos.
Rouba o que se esquecera.
Passa a mão e chama de bicha
Entre os dedos enrola o maconheiro
E na boca voz de puta.
É nesta cidade, nesta cidade
Onde a alvorada nunca se faz dia,
Que o rio alimenta de lama.
Em torno, mar de cana
Que amarga nossa boca.
Philippe Wollney
Que esgana quem tenta
Que pisa na cabeça
Dos que ousam alteridade
Que eu saio.
Na noite há pedra e chama.
Nas casas há barro e fome
Nos olhos, rasos, o medo.
O desespero alérgico
Que aleija da porta para fora.
Que angustía da porta para dentro.
Na noite existem torres e holofotes,
Bares e falta de propósito
Bares e algo outra vez
Bares, a noite desaba sobre o balcão
Bares, represa de fé profana.
A noite nesta cidade
Nos priva de nós mesmos.
Rouba o que se esquecera.
Passa a mão e chama de bicha
Entre os dedos enrola o maconheiro
E na boca voz de puta.
É nesta cidade, nesta cidade
Onde a alvorada nunca se faz dia,
Que o rio alimenta de lama.
Em torno, mar de cana
Que amarga nossa boca.
Philippe Wollney
Canções guardadas
Cordas para quê?
Se posso ter as teclas
Oito já se foram
Estão guardadas
Um dia talvez
Serão descobertas
Ou quem sabe até
Reescritas.
Não adianta,
Mostrar ao público,
Para eles pode não significar muito,
Para mim,
É a minha vida
Escrita em composições
Tristes,
Românticas
E melancólicas,
Algumas inacabadas
E perdidas
Mas que no final
Dão origem a canções
Desconhecidas.
Pollyanna Gomes
Se posso ter as teclas
Oito já se foram
Estão guardadas
Um dia talvez
Serão descobertas
Ou quem sabe até
Reescritas.
Não adianta,
Mostrar ao público,
Para eles pode não significar muito,
Para mim,
É a minha vida
Escrita em composições
Tristes,
Românticas
E melancólicas,
Algumas inacabadas
E perdidas
Mas que no final
Dão origem a canções
Desconhecidas.
Pollyanna Gomes
Alma que voa.
Vastas ondas avulso vibram...
desvairando vasos de vozes vazias.
Vestígios de versos a devanear,
voando num balanço de verão.
Através de voltas mais longas,
como vulto que passa variando,
para viver da vontade de ser livre.
Sandro Gonzaga
desvairando vasos de vozes vazias.
Vestígios de versos a devanear,
voando num balanço de verão.
Através de voltas mais longas,
como vulto que passa variando,
para viver da vontade de ser livre.
Sandro Gonzaga
Presente
No que vivo existe eternidade.
Em minhas lágrimas existe o peso de todos os tormentos, a força de todo o meu amor, os gritos de todas as minhas dores.
Oh intensidade que me toma, alivia-me um pouco de ti!
Felicidade superficial dos lábios meus, vai-te enquanto estou só, porque agora estou apenas comigo.
Perigo dos pensamentos meus a mortalha suicida de minha dramática alma calada e séria.
O quanto eu sou fraca e forte ninguém jamais há de ver.
O quanto eu morro e vivo, ninguém jamais há de saber.
Todas as cores que pintam a existência, não são capazes de me dar qualquer tom.
Sinto culpa pelo que me causa saudades.
E saudades por minha própria culpa.
Em minha brancura desfalecente copio a hepática esperança de saciar-me em amor enquanto houver tempo.
O meu amor...
Eu tenho mãos para tocar-lhe, mas não o acho aqui.
Eu não vejo você.
Os anos têm passado diante de mim velozmente.
Se eu morrer antes, o grande amor da minha vida tem seu nome.
Por enquanto, tenho o espelho para olhar, para pensar, lembrar, chorar, chorar por estar chorando, chorar pelo que já chorei.
Sinto saudades suas...
Você cabe bem no meu abraço.
Mas estou envelhecendo longe do seu calor.
Suely S Araújo
Em minhas lágrimas existe o peso de todos os tormentos, a força de todo o meu amor, os gritos de todas as minhas dores.
Oh intensidade que me toma, alivia-me um pouco de ti!
Felicidade superficial dos lábios meus, vai-te enquanto estou só, porque agora estou apenas comigo.
Perigo dos pensamentos meus a mortalha suicida de minha dramática alma calada e séria.
O quanto eu sou fraca e forte ninguém jamais há de ver.
O quanto eu morro e vivo, ninguém jamais há de saber.
Todas as cores que pintam a existência, não são capazes de me dar qualquer tom.
Sinto culpa pelo que me causa saudades.
E saudades por minha própria culpa.
Em minha brancura desfalecente copio a hepática esperança de saciar-me em amor enquanto houver tempo.
O meu amor...
Eu tenho mãos para tocar-lhe, mas não o acho aqui.
Eu não vejo você.
Os anos têm passado diante de mim velozmente.
Se eu morrer antes, o grande amor da minha vida tem seu nome.
Por enquanto, tenho o espelho para olhar, para pensar, lembrar, chorar, chorar por estar chorando, chorar pelo que já chorei.
Sinto saudades suas...
Você cabe bem no meu abraço.
Mas estou envelhecendo longe do seu calor.
Suely S Araújo
Pluvial
Vento frio;
No telhado, o grito de quem anuncia o Grande Temporal!
Aproxima-se rápida, porém como um dilúvio...
Lava a terra, as chagas da senhora que não se cansa de reclamar da existência...
Lava a mente, abismo para aqueles que não percebem o perene clamor pluvial!
Abre na terra as curvas de vida e os sorrisos de quem não têm nada para sorrir; mas sorriem!
Pois é o cântico das nuvens carregadas lá do alto...
Alto céu, antes de brilho descontínuo
Agora vermelho, cinza e negro...
Porém a noite sairá depressa
E o que virá será imperfeito demais para ser descrito;
Pois sinto aquela que ainda teima em se adornar
Para a grande dança da existência!
Thiago Albert
No telhado, o grito de quem anuncia o Grande Temporal!
Aproxima-se rápida, porém como um dilúvio...
Lava a terra, as chagas da senhora que não se cansa de reclamar da existência...
Lava a mente, abismo para aqueles que não percebem o perene clamor pluvial!
Abre na terra as curvas de vida e os sorrisos de quem não têm nada para sorrir; mas sorriem!
Pois é o cântico das nuvens carregadas lá do alto...
Alto céu, antes de brilho descontínuo
Agora vermelho, cinza e negro...
Porém a noite sairá depressa
E o que virá será imperfeito demais para ser descrito;
Pois sinto aquela que ainda teima em se adornar
Para a grande dança da existência!
Thiago Albert
Marcas do tempo
O que são as dores?
Os dias retorcem os anos,
Os velhos já não existem mais.
O que é o delírio, se nunca estive são.
Sangue, olhos, beijos e marcas do tempo do nada.
A vida inteira é uma zona?
Eu não estou bem, mas nunca foi tão bom estar assim.
O que são as dores?
Se elas só me servem pra sorrir
Tenho lembranças frias, loucas e minhas.
O que elas são?
A morte justa, ou não, é uma zona.
Eu não estou mal, mas nunca foi tão ruim sonhar tão pouco assim.
Por que tenho de sentir tudo assim?
O que são as dores?
Se elas só me fazem chorar.
Perdi lembranças quentes, curtas e banais.
O que foi que achei?
O mundo cruel, materno, ou não, é uma zona.
O que é mesmo que sinto?
Os novos não vão durar para sempre.
Wendell Nascimento
Os dias retorcem os anos,
Os velhos já não existem mais.
O que é o delírio, se nunca estive são.
Sangue, olhos, beijos e marcas do tempo do nada.
A vida inteira é uma zona?
Eu não estou bem, mas nunca foi tão bom estar assim.
O que são as dores?
Se elas só me servem pra sorrir
Tenho lembranças frias, loucas e minhas.
O que elas são?
A morte justa, ou não, é uma zona.
Eu não estou mal, mas nunca foi tão ruim sonhar tão pouco assim.
Por que tenho de sentir tudo assim?
O que são as dores?
Se elas só me fazem chorar.
Perdi lembranças quentes, curtas e banais.
O que foi que achei?
O mundo cruel, materno, ou não, é uma zona.
O que é mesmo que sinto?
Os novos não vão durar para sempre.
Wendell Nascimento
RECITAL 15 DE NOVEMBRO

15 de NOVEMBRO
Recital na Praça dos Artesões, protesto contra a depredação do patrimônio artístico e histórico da cidade de GOIANA. Na praça haviam oito estátuas de barro com aproximadamente 1,60 m feitas por oito artesões da cidade do qual dois já faleceram.
- São Pedro – Tog.
- Vendedor de Abacaxi – Lázaro.
- Maracatu – Gecino.
- Pescador – Mussum.
- Tirador de coco – Edilson Nunes.
- Maria Camarão – Nino.
- Escravo – Irene (falecida)
- Catador de Caranguejo – George (falecido).
15:00h da tarde de Sábado, munidos de um carro de som um grupo solta seu refrão:
ATENÇÃO, ATENÇÃO
VAGAS ABERTAS PARA ESTÁTUAS
NA PRAÇA DO ARTESÃO
Os poetas Ademauro Coutinho, Adinho Vidal, Philippe Wollney, Thiago Albert, Wendell Nascimento e o anarquista Marcos Aurélio, lançaram seus versos e reversos para todos presentes. Logos após, partiram de andada para a secretaria de cultura, finalizando o protesto e chamando todos que estejam inconformados com a consciência quebradiça dos habitantes de uma Goiana que finge não ver e escutar os sintomas degenerativos de uma rápida urbanização.
assim se faz uma tarde lamacenta em meados de novembro
RECITAL 15 DE NOVEMBRO









A DEGRADAÇÃO DA PRAÇA DOS ARTESÕES, PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA CIDADE DE GOIANA E, A FALTA DE ATENCÃO COM TAL FATO É UMA REAL DEMONSTRAÇÃO DO DESCASO , TANTO DOS ORGÃOS RESPONSÁVEIS QUANTO DE UMA POPULAÇÃO NÃO CONSCIENTIZADA DA IMPORTÂNCIA ARTÍSTICA DO PATRIMÔNIO . NÃO VEJO APENAS COMO UMA FALTA DE INPORTÂNCIA E RESPEITO DA PRAÇA MAS TAMBÉM COMO UMA MAL APLICAÇÃO DO NOSSO GOVERNO GOIANENSE .
Marco Aurélio
Painel 14 de Novembro




Painel elaborado na tarde de 14 de Novembro. Uma criação quimerística de grafite com colagem do artista plástico intitulado Odrac e representantes do grupo Silêncio Interrompido. O painel se encontra na Rua DIreita ao lado da Câmara dos Vereadores.
ATENÇÂO:
VAGAS ABERTAS PARA ESTÁTUAS
NA PRAÇA DO ARTESÃO.
Protesto contra a depredação do patrimônio artístico-histórico da Praça dos Artesões e o abandono do poder público sobre tal patrimônio de extrema relevância para a cidade.
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