14 fevereiro 2009

Movimento pela Zona da Mata




A necessidade de integrar a produção artística da região da Mata-Norte pernambucana e outras localidades, irá resultar na produção de vários ensaios abertos durante todo o ano de 2009. Contando com bandas, poetas e outros anarquistas culturais da cidade de Goiana, Itambé, Pedra-de-Fogo, Timbaúba, Carpina, Juripiranga, Santa Rita (PB) e Caaporã(PB) , busca-se criar um intercâmbio cultural dessa produção contemporânea, que muitas vezes é vista como um inimigo e não como um aliado, pelos produtores que incentivam a Cultura de Raiz.
A idéia central é que a Zona da Mata é sustentável artisticamente, sempre produziu e continuará produzindo arte de diferentes maneiras.
A primeira dessa experimentação será a realização de um ensaio aberto no dia 8 de março em Goiana próximo a casa da Cidadania, tendo como apoio o Movimento Cultural Silêncio Interrompido, e contará com a participação das bandas: Paranóicos (Goiana), One Black Two White (Goiana), Simbiontes (Itambé), Wind Bee (Itambé) e Pouco Rock e Muito Brega (algum lugar imaginário) e a participação dos poetas Goianenses.

Observe & Absorva

Silêncio Interrompido [ http://silencio-interrompido.blogspot.com ]
Itambé Rock [ http://blogitamberock.blogspot.com ]

25 janeiro 2009

Cartaz Poético [janeiro 2009]




Cartaz (80 x 100 cm) Poético Janeiro de 2009
com os poemas de:
Cristina Souza
Ademauro Coutinho
Carol Vitall

“Pensem o que quiserem”

Vida! Seguida pelo sonho ou pela ferida?
Vida! Se aprende mais com a chegada ou com a partida?
Vida! O que será a loucura senão um ponto de vista?
Vida! O medo que tenho de ti é o mesmo do contrário!
Vida! Adoro viver-te porque o cansaço que me trazes é prazeroso!
Vida! Ama-se mais no começo ou no final?
Vida! És tão boa que não prestas!
Vida! Eu te amo, mas quero que saibas que nada me pertence tão pouco os sentimentos!
Vida! Às vezes, só às vezes, penso o no por quê?
Vida! Por favor, não se preocupe!
Eu sei que você também pensa nisso!

Wendell Nascimento

mé (laço-me)

és o creme de gengibre com hortelã
que espalho todas as noites
em meu corpo.
és melaço de cana a
diluir-se em mim
perfumando orifícios.
és meu vinho tinto
refresco, envelhecido e renovado
em pétalas de flor de maracujá.
és o nectário dos
Deuses (ébano):
aceito e aplicarei para
sempre(de graça).


Vânia Regina(Flor de Maracujá)

Fruta

vou te dar a mordida perfeita
quero sentir o teu sabor
em minha boca...
quero sentir o caldo escorrer
pelo meu corpo
quero sua parte mais carnuda
em minha boca...
emudecida
umedecida
de tanto prazer.

Vânia Regina(Flor de Maracujá)

eu labirinto

me entrelaço
nas ondas do
seu olhar
me perco no infinito
do céu de sua boca
e me encontro
no calor de seu abraço.

Vânia Regina(Flor de Maracujá)

porto seguro

mergulho sossegada
no mar profundo
de tuas palavras:
(onduladas de desejos)
entre o céu de tua boca
e o desejo de sentir
as estrelas em meus lábios
não resisto:
largo a âncora
no mar da tua vida.

Vânia Regina(Flor de Maracujá)

[...]

...
(re)
parto-me
entre as igrejas
e as praças.
nas calçadas das praças
desato laços
na das igrejas
abraço estrelas.

Vânia Regina(Flor de Maracujá)

Tardes de Domingo (Às sensações nostálgicas que invadem o peito)

Sinto o pulsar de minhas raízes negras
Que compasseiam pelo delírio de tantos.
Sou o que numa ilha delira
Entre passos que de tão simples parecem sair como vindos da alma;
- a alma oculta do dançar de uma criança,
Em euforia pela chuva de São Pedro lá de cima.
Sou o que pro céu olha e entoando cantigas de amores distantes
Relembra tempos em que santos protegiam da vida selvagem
Que sem saber construíamos com nosso suor.
Sou o que vive lá no cume,
Em montes afogados pela terra
E que rindo quando se deve chorar,
Vive-se quando é fácil desistir,
Canta quando se deve calar.
Sou o que carrega o peso dos fardos que próprio ato
E faz brinquedo o que seriam grilhões,
Torna multicor o que a paisagem monocromática dos verdes canaviais encobria outrora.
Sou o pisar forte deste círculo de comunhão
Onde de mãos dadas, seguimos embebecidos por este mar que apesar de tão grande,
Ainda não sacia nossa gana de nossa vida girar.
Sou estes tambores,
Que apesar dos açoites,
Nunca teimam em tornar silêncio o que de mais belo existe em nós;
Tornando a vida assim
Este eterno cantar que sai do peito de nossa alma aflita
Em tardes de domingo.

Thiago Albert

Pra Você

Pra você a minha escolha, a minha cara, a minha verdade, a minha coragem, a minha lua.
Pra você minha escova de dentes, meu açúcar, minhas sandálias, minha casa, minha rua.
Pra você o meu céu, a minha manhã, o meu entardecer, porque nunca é tarde pra você.
Pra você o meu vazio, o meu rio, o meu sorriso, a minha agonia, o meu cheiro, os meus cabelos, os meus sinais, a minha energia.
Meu azeite, minha seita, minha fome, minha sede, minha couraça, meu café, meu leite.
Meus ouvidos, minhas dicas, minhas brigas, minha boca e paladar, meus alicerces e vigas.
Pra você o meu nome e muito mais, a minha cama, o meu paraíso, a minha voz, meus pontos finais.
Pra você os meus amores, minhas vidas, o meu máximo, o meu mínimo, minha cruz, minha espada, o meu tudo e nada.
Pra você o meu amor, de formas tais, iguais as quais sejam todas as formas que uma mulher pode amar um homem.
E que eu seja sempre a mulher do homem que você é.

Suely S Araújo