De longe, ouço o sino que me chama
Como o pai cujo filho pródigo sente a volta.
A princípio, só verde, só cana,
Gana de ter aquilo que um dia fui e até hoje invento.
No céu, uma cruz se confunde no horizonte
Com a estrela D’alva a iluminar-me,
Marcando a vida e morte de meu ser.
Quase nunca te vejo, mas em qualquer era sei quem és.
Suja, degradada, entregue a vermes institucionalizados
Que exibem as suas famílias
tal qual a leitoa gorda que têm orgulho de seus leitõezinhos.
Mesmo com todos os parasitas
que consomem este teu velho corpo,
estas tuas velhas fachadas,
estas tuas cruzes de pedra que brotam de tua pele,
Ainda sim te amo com a mais terna baixeza.
Tu, ama de desejos impuros
Que me gera a ânsia nostálgica de antigos gozos.
Que, em teu ventre, em teu centro,
Fui concebido pelo incesto de seus filhos:
Negros, caetés, galegos, quilombolas, marisqueiros, pescadores e antigos marinheiros
Que gozavam no rio de teu ser
Que apesar de fluir,
continua reto e negro em seu antigo rumo.
Goyanna, esta que me atrai como um imã,
Me traga embriaguez das noites insones,
Onde me banhavas com vinho de tuas veias abertas,
Me fazias beber do suor de teu rosto,
Aguardente de cheiro da negra verde cor de teus cabelos.
Estes teus fios de quando em quando tu cortas com a labuta de tua prole, após provar do ardor do fogo do inferno,
Apenas para satisfazer o fetiche do cliente mais rico que tem seu orgasmo ao ver-te no cume de sua degradação.
Tu,
prostituta sifilítica, cadela com calazar terminal, noiada com o mais humilhante vício,
Me mostres o que me prende à barra de tua saia,
Tal qual menino indefeso com a vida lá fora.
Me tragas a dádiva de provar teu gosto só uma vez mais
A este filho que é teu escravo.
E, tal como os que tens em todo sempre,
Nunca cansa de te cantar em versos e cânticos.
Thiago Albert
03 julho 2009
Fugaz.
Fugindo da razão escapa,
dispersando o resto das cinzas...
Domina na certeza da efemeridade,
deixando feridas incicatrizáveis.
O tempo se encarrega da decadência
daquela que um dia será queimada como as outras.
Na fogueira seu grito se abafa.
Em cinzas esquecidas acaba.
Para o nascimento de outra...
Que também morrerá na descrença.
Sandro Gonzaga
dispersando o resto das cinzas...
Domina na certeza da efemeridade,
deixando feridas incicatrizáveis.
O tempo se encarrega da decadência
daquela que um dia será queimada como as outras.
Na fogueira seu grito se abafa.
Em cinzas esquecidas acaba.
Para o nascimento de outra...
Que também morrerá na descrença.
Sandro Gonzaga
Canções Guardadas
Cordas para quê?
Se posso ter as teclas
Oito já se foram
Estão guardadas
Um dia talvez
Serão descobertas
Ou quem sabe até
Re-escritas.
Não adianta
Mostrar ao público,
Para eles pode não significar muito,
Para mim,
É a minha vida
Escrita em composições
Tristes,
Românticas
E melancólicas,
Algumas inacabadas
E perdidas
Mas que no final
Dão origem a canções
Desconhecidas.
Pollyanna Gomes
Se posso ter as teclas
Oito já se foram
Estão guardadas
Um dia talvez
Serão descobertas
Ou quem sabe até
Re-escritas.
Não adianta
Mostrar ao público,
Para eles pode não significar muito,
Para mim,
É a minha vida
Escrita em composições
Tristes,
Românticas
E melancólicas,
Algumas inacabadas
E perdidas
Mas que no final
Dão origem a canções
Desconhecidas.
Pollyanna Gomes
Transparece
Ofereço-me nu e pervertido nos meus versos
Falar o que os outros secretam
Pintar minha cara e ir aos gritos
Derramando sentimentos pelas ruas
Sei que me procuram
Pelas minhas meias verdades
As farsas também eu sou
Não há esconderijo
O poema transparece o meu eu cretino
Philippe Wollney
Falar o que os outros secretam
Pintar minha cara e ir aos gritos
Derramando sentimentos pelas ruas
Sei que me procuram
Pelas minhas meias verdades
As farsas também eu sou
Não há esconderijo
O poema transparece o meu eu cretino
Philippe Wollney
Ócio é a idade dos poetas mortos
Gostar de futebol e ser marido
Inspira mais cuidados que um poema
Barroco, porque se quer pena
Com que se compense o proibido
Embriagar-se à noite, sob estrelas
Faz-se mister, porque romantikitsch
E, à sobra inevitável do fator humano
Celebraremos o que não existe.
De sorte que ilusão e morte
Sob a égide da vida coexistem
E, fosse eu o mago do universo,
Faria apenas uns poemas tristes
Com o dom de reviver o mar vivido
Com a alegria de quem sobrevive.
Marcelo Arruda
Inspira mais cuidados que um poema
Barroco, porque se quer pena
Com que se compense o proibido
Embriagar-se à noite, sob estrelas
Faz-se mister, porque romantikitsch
E, à sobra inevitável do fator humano
Celebraremos o que não existe.
De sorte que ilusão e morte
Sob a égide da vida coexistem
E, fosse eu o mago do universo,
Faria apenas uns poemas tristes
Com o dom de reviver o mar vivido
Com a alegria de quem sobrevive.
Marcelo Arruda
Partidas à parte
A partida começa
Logo,
O jogo das palavras jogo
As palavras jogam o
Jogo,
A partida continua,
Pega fogo.
Jogo o jogo das palavras, jogo.
O juiz apita o pênalti
Logo, jogo:
Goool!!!
A partida terminou.
Partiu partida a torcida adversária.
Represália!
Troco dedos, trocadilhos...
Sempre jogo.
Cris Souza
Logo,
O jogo das palavras jogo
As palavras jogam o
Jogo,
A partida continua,
Pega fogo.
Jogo o jogo das palavras, jogo.
O juiz apita o pênalti
Logo, jogo:
Goool!!!
A partida terminou.
Partiu partida a torcida adversária.
Represália!
Troco dedos, trocadilhos...
Sempre jogo.
Cris Souza
[...]
Não forneceram nenhuma palavra, ficou-se o silêncio.
Tudo era olhares voltados para o chão, expressões não expressas
O debruçar do suicídio em palanques repletos de alguma coisa,
Que por mais que tentasse se formar, sempre acabava numa
Abstração diferente da outra.
Absurdos e negações a cada passo o confrontar.
Reuniões de coisas sem sentido para tentar entender
Tudo aquilo que não foi dito
Cerimônias em relevos de secura
Amordaçamento alheio, penumbra.
Aluizio Fidelis
Tudo era olhares voltados para o chão, expressões não expressas
O debruçar do suicídio em palanques repletos de alguma coisa,
Que por mais que tentasse se formar, sempre acabava numa
Abstração diferente da outra.
Absurdos e negações a cada passo o confrontar.
Reuniões de coisas sem sentido para tentar entender
Tudo aquilo que não foi dito
Cerimônias em relevos de secura
Amordaçamento alheio, penumbra.
Aluizio Fidelis
29 junho 2009
Poetas Goianenses na Antologia “CEM POETAS SEM LIVROS”

Poetas Goianenses participam da Antologia “CEM POETAS SEM LIVROS” pelo movimento Litera-PE.
Lançamento: QUINTA-FEIRA (09.07-JULHO), às 19h, no Instituto Maximiano Campos (IMC), na rua do Chacon, 335, Casa Forte .
A cerimônia promete varar a noite com sarau poético participativo.
Pela primeira vez na literatura de Pernambuco se reúnem, em livro, 100 poetas e poetisas que produzem há poucos anos ou há várias décadas, mas que nunca editaram um livro sequer. O Movimento Litera-PE acredita no estímulo à escrita com repercussões na promoção à leitura.
Mais de 120 autores(as) se inscreveram, com cinco poemas cada um, para participar da antologia. O Conselho Editorial – formado por Cida Pedrosa, poetisa e editora do www.interpoetica.com; a psicóloga, poetisa e jornalista Lourdes Coelho; o radialista e escritor Fernando Farias; e o jornalista e poeta Cristiano Jerônimo – ficou a cargo de selecionar os 100 participantes. O acadêmico pernambucano e advogado Antônio Campos, através do IMC, apadrinhou o projeto num gesto de compromisso também com a nova produção literária.
Os poetas Ademauro Coutinho, Aluizio Fidelis, Philippe Wollney, Sebastiana de Lourdes, Suely S. Araújo, Sandro Gonzaga e Vidal de Souza participam da Antologia “CEM POETAS SEM LIVROS” pelo movimento LITERA-PE.
O quê? Lançamento oficial da coletânea Cem poetas Sem livros
Quando? Às 19h da quinta-feira (09.07) e promete varar a noite com sarau poético participativo
Onde? Na rua do Chacon, 335, Casa Forte. Entre a Praça de Casa Forte e a Praça Flor de Santana, em frente ao CPOR.
Abaixo a lista dos Cem poemas e seus donos(as) que constam no livro:
Sumário
Título do poema/Autor (ordem alfabética)
01. De sal e sol, solidão/Adélia Coelho
02. FRAÇÃO/ADEMAURO COUTINHO
03. Serve esse?/Alan Diego
04. Pensão da Santa Cruz – 1966/Alejandra Arce
05. Se mira/Alexandre Melo
06. O circo feliz/Alice Moraes
07. Reconheça/Aline Gusmão
08. OS TREZE/ ALUIZIO FIDELIS
09. Sem título/ Amana Pinheiro
10. Presentes/Amanda Moraes
11. Massificação/André Agostinho
12. Deus/André Santiago
13. Sumário/Bené Lobão
14. Estações/Beth Brito
15. Imperfeitos/Camila Dantas
16. Ensaio e Fuga /César dos Anjos
17. Da lama e o mangue /Claúdia Trevisan
18. Vegetativo II/Clayton Souza
19. Vingança é riso na hora / perdão é riso sem fim | Clécio Rimas
20. Meus anseios /Damaris Freitas
21. Meus sentimentos /Daniela Bezerra
22. Tragédia /David Moura
23. O outro lado... |Demétrius Fernandes
24. Dente-de-leão | Diogo Testa
25. Porque assim... /Eduardo Nascimento
26. Primavera/Eliane Duarte
27. Antigamente foi ontem/Máua Levi de Santana
28. Manhã ensolarada/Elieser Rocha
29. Momentos felizes/Emanuella de Jesus
30. O sonho dos mendigos/Eraldo José
31. Aquarela inóspita/Érika Renata
32. Silêncio/Estela Domingues Nunes
33. Arranca as asas/Estelita Lins
34. Dentes sensíveis/Ester de Lemos
35. Sob o amor/Eugênio Jerônimo
36. Luxúria em Hollywood/Fábio Pinheiro
37. Família/Flávia Pena
38. O salão dos desejos/Genésio Salustiano
39. Sereno/Giselle Aguiar
40. O íntimo da alma/Gizele Tavares
41. Sono/Guma
42. Transição/Gustavo Dantas
43. Desejo de uma vida inteira/Hélder Freire
44. Tormenta/Hênio Cavalcanti
45. Ela/Hugo Machado
46. Fria análise nocturna/Israel Lira
47. Jerimum/Ivan Almeida
48. Grandeza de flor/Jacqueline Torres
49. Gestos/Jair Martins
50. Perdida/Jalves
51. Sinismo/Jonatas Castro
52. Terras espalhadas/Jonathan da Silva
53. Prece/Josi Guimarães
54. Não importa/Joyce Amaral
55. Poema de uma tarde de sábado/Júlia Generino
56. A poesia/Léo Durval
57. Na mão/Leonardo Santana
58. Azul/Leônia Léa
59. Ícaro contemporâneo /Lilcandi Bisser
60. Falta amor/Luciane Silva
61. Aos meus filhos/Luiza Pedrosa
62. Veste da alma II/Márcia Maracajá
63. Imagem/Márcio Andrade
64. O meio cálice/Márcio Baião
65. Cosmologia/Marcone Alves
66. Prometeu/Marcos Moura
67. Ode Carnavalesca/Mariane Bigio
68. Nosso amor/Marinaldo Lima
69. É doce morar no mar/Maurício Santos
70. Melancolia/Melânia Vieira
71. Hoje/Meri Rezende
72. Mal menor/Patrícia Souza
73. Nômade/Pedro Rodrigues
74. EPIGRAMAS/PHILIPPE WOLLNEY
75. Passeio/Poliana Oliveira
76. Eu Tragada/Priscila Faisbanchs
77. Expressão/Rafaela Ramirez
78. Estupefaciente/Raísa Feitosa
79. Sou tua/Raquel Conti
80. Corroendo/Renata Santana
81. A descoberta da Moira/Roberta Lee Lino
82. Camada/Rômulo Alves
83. Eus/Rubeneide Araújo
84. Caos/Sachiko Shinozaki
85. VOLTAR/SANDRO GONZAGA
86. Rumor/Saulo Feitosa
87. FLORESTA NOSSA/SEBASTIANA DE LOURDES
88. Meio sapo/Sérgio Alves
89. Olhos/Sidney Ramos
90. Me achando/Suely Meirelles
91. COMA-ME/SUELY S ARAÚJO
92. Filho, eu estou aqui/Suely Siqueira
93. Tua espera/Tamires Correia
94. Soneto do passado/Tereza Gomes
95. Acusa a bela corte!/Thalita Gadelha
96. Tresvario/Vanessa Camila
97. Correnteza/Victória Cássia
98. NÃO SE PREOCUPE/VIDAL DE SOUZA
99. Para entender a beleza/Yugo Taroo
100. Tempo, o tal/Yuri Duarte
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