17 abril 2011

O Poema sacro.

Estou cansado deste poema sacro
Inventado a dedos podres
De almas cansadas
Almas que gritam
Almas que choram
Almas rebeladas.

Este poema sacro.
É a ignorância em pessoa
É o poema venal
Que corrompe e se vende
Tu Poema.
És tosco e imutável.

David Borges (Poeta Degolado)

Cruzeiro X Real

Cruzeiro uma merda.
O que temos são bêbados acampando
Bêbados derramando
A dor de não ser “ELITE”.
Cruzeiro...
Cruzeiro é onde Fenelon se esconde
É onde ele senta e fuma seu cigarro
É onde cospe o seu catarro.
É no cruzeiro que ele vira uma merda
Uma fedentina constante
É onde se encontra com as suas amantes
É onde ele goza o prazer de ser PREFEITO.

David Borges (Poeta Degolado)

Reeducação sentimental feminina

Amor farsante
Poesia errante
Gênero estranho, nostalgia peculiar
Caras e bocas loucas
Tentando seduzir-me devagar
Entre gotas e gotas de vinho tinto
Sigo traindo do meu jeito
Sem que ele possa suspeitar
Te amando
-me odiando?
“Vai sonhando!”
Que chegue ao fim do mundo
Continuo a me respeitar
Apaixonada por mim
Esta sim é relação que vai durar.
Grandeza audaz e faz sucesso
Nada quero com excesso
Sei o que espero de mim
Não me preocupo com a opinião do resto
Nem deixo que vire ócio
Entre quatro paredes fecho qualquer negócio
É para todo mundo invejar
Estou feliz assim
Quem não estiver que procure mudar
-Mulheres, temos que compreender:
Paixão não é para fazer sofrer
O máximo que poder fazer gozar.

Geisiara Lima

LUCIDEZ

A lucidez inevitavelmente me transtorna;
Perturba-me e por vezes me angustia;
Deixa-me vulnerável demais à morte, me transporta
Arremessando-me à tona a desejos meramente suicidas.
Transporta-me pelo estreito de minha consciência;
E aborta-me dos olhos uma lágrima e uma emoção;
Torna cada vez mais insuportável suportar minha existência;
E alarga indiscriminadamente esse fosso de solidão;
De dor faz-me ceder a certos impulsos;
E a atentar até mesmo contra minha própria vida;
Quando dou-me conta esvai-se de sangue meus pulsos;
Satisfeita despeço-me finalmente de toda minha agonia.

Liedja Marques

Sexta à noite

Depois de todas as semanas
Sextas à noite se repetem
Nenhuma palavra é nova
Todos os poemas se repetem.

Sexta à noite é a noite
De exorcizar os demônios.
Sexta à noite é uma fronteira
Para a nova semana em que
Se cumprirão os projetos?

A sexta à noite é tão brasileira
Quanto o erro de colocação
Pronominal – é uma fraqueza.

Faremos os melhores poemas
Os mais engenhosos, além-fronteira
Da sexta à noite.
Hoje vamos beber.

Amanhã vamos dizer
Que não beberemos mais
E depois de amanhã
Que sabe mais amargo sempre,
Vamos viver a preguiça
De se apetrechar
Pra mais uma aventura urbana.

Na semana propriamente dita
Veremos, mais uma vez
Que a história avança a passos lentos
E que, depois do fim de semana
Faremos algo mais pra dar
“a nossa contribuição”
- cujo peso é aliviado
Pela indefectível
Sexta à noite, como
Palavras amenas
Que “salvam” poemas duros.

Marcelo Arruda

Pólen

Na chagada da manhã
A flor derradeiramente
Despetala-se
Cotidiana, simples, rara.
...desperta-me, despetala-me...

.:. embriões pára-quedistas tomaram o ar
Dissipar a beleza em paredes cinza.

Philippe Wollney

Alvorada

A noite, escuridão que sega os olhos
O silencio, grita nos ouvidos
A lentidão, que se encaminha ao nascer de um novo dia.

(R.R)

Ascensão do caos

Desfaz o lamento desprezível, repugnante...
Estrangula a imensa falsidade.
Ser execrável de presença humilhante
Bocas e becos transbordando tempestade.

Tropeça, atira e tira o torpe traje do ultraje
A vingança tem a sutileza do seio
Olhos de carranca, sino que retroage
Mendigo devorando prato cheio.

Teu deus limita o homem a nada
Beleza falsa de tramóia insana
Destino do fogo e da espada
Infectando a raça humana.

Alma imunda que prega o amor
Canta louvores ao meio dia
Se espoja na lama fétida do pavor
Ostenta um deus de hipocrisia...

Que vai guiando a multidão...
A ignorância reflete a covardia.
A cruz tortura o herege, o pagão...
Tendência para o domínio cruel.

A fome enforca o perdão,
Apaga as estrelas do céu.
A religião não nutre o corpo sem pão
No espetáculo do caos sob um véu.

Sandro Gonzaga

Eu queria que isso não fosse minha vida, fosse só mais uma poesia

A noite passando aflita
o silêncio gritando murmúrias, lamentações
culpando o tempo por tudo. Mas, se o futuro não fosse um absurdo
a vida seria justa; E se a vida fosse justa o futuro não seria tão ausente
quanto meu desejo inverso de viver e escarnecer a aurora dessa infeliz felicidade
que tenho de não ter saída quando o amor é a única ferida perene que devo deixar inflamar até que ela me leve à morte.

Wendell Nascimento

14 abril 2011

Recital 08/04 Festival Pernabuco Nação Cultural

Intervenção de Biagio Pecorelli (poeta, Performer e ator) e Philippe Wollney (poeta, membro do Silêncio Interrompido) no Recital do Festival Pernambuco Nação Cultural.

Philippe Wollney e Biagio Pecorelli
Philippe Wollney e Biagio Pecorelli
Philippe Wollney e Biagio Pecorelli
Vitória Fulô
Adiel Luna
Felipe Junior
Silvana Menezes

Um abraço ao poeta Lara, que anda vasculhando e interceptando a poesia por essas bandas.
E agradecimentos especiais a Ricardo (DJ Morcego), que registrou o recital e o festival, e é cúmplice de nossas ações.