Num país de problemas entre aspas
E frustrações com reticências,
É preciso munir-se com hífens
E idéias agudas,
Se proteger com vírgulas nos pés
E circunflexo na cabeça,
Para ver se conseguimos adiar um pouco
O nosso pontual final.
André PNum país de problemas entre aspas
E frustrações com reticências,
É preciso munir-se com hífens
E idéias agudas,
Se proteger com vírgulas nos pés
E circunflexo na cabeça,
Para ver se conseguimos adiar um pouco
O nosso pontual final.
André PA chuva cai.
Enche o rio.
Acorda a cheia.
Numa varanda, sobre o poeta,
cai uma chuva de fantasias que encharca-lhe a alma,
Uma hemorragia internaexterna inunda o seu existir
e o seu sanguetinta esborra,
borra e jorra em sua avenida em branco
no exato momento em que o vento sopra-lhe a nuca.
Um sorriso, como um néctar, escapa-lhe pelo canto da boca.
E o poeta, com o olhar estático,
observando o tudo no nada,
percebe que é meio rio,
meio chuva
e todo cheia.
André P.
Sob carícias matinais,
Desperto esperto, ereto.
Beijo a boca do dia,
Com prazeres mato minha fome,
É quando um orgasmo me consome
E um sopro na nuca me arrepia.
Hoje, as orgias serão meu prato principal!
Vou comer o cú do mundo!
Romper o hímen da noite!
E nela, fumarei os céus,
Beberei os mares,
Cheirarei todos os ares.
E a noite prenha,
A sentir as dores do parto,
Da gestação em que me encaixo
Dará a luz a um novo dia.
André P.