13 janeiro 2011

Ortografia Oficial

Num país de problemas entre aspas

E frustrações com reticências,

É preciso munir-se com hífens

E idéias agudas,

Se proteger com vírgulas nos pés

E circunflexo na cabeça,

Para ver se conseguimos adiar um pouco

O nosso pontual final.

André P

Poeta cheia

A chuva cai.

Enche o rio.

Acorda a cheia.

Numa varanda, sobre o poeta,

cai uma chuva de fantasias que encharca-lhe a alma,

Uma hemorragia internaexterna inunda o seu existir

e o seu sanguetinta esborra,

borra e jorra em sua avenida em branco

no exato momento em que o vento sopra-lhe a nuca.

Um sorriso, como um néctar, escapa-lhe pelo canto da boca.

E o poeta, com o olhar estático,

observando o tudo no nada,

percebe que é meio rio,

meio chuva

e todo cheia.

André P.



[***]

Sob carícias matinais,

Desperto esperto, ereto.

Beijo a boca do dia,

Com prazeres mato minha fome,

É quando um orgasmo me consome

E um sopro na nuca me arrepia.

Hoje, as orgias serão meu prato principal!

Vou comer o cú do mundo!

Romper o hímen da noite!

E nela, fumarei os céus,

Beberei os mares,

Cheirarei todos os ares.

E a noite prenha,

A sentir as dores do parto,

Da gestação em que me encaixo

Dará a luz a um novo dia.


André P.