This is your name: Muriçocas
Para quem esta chegando do passado a esse novo século vá logo se acostumando com os climas tronxos, coisas que só podem acontecer no Brasil, filas pra tudo, trânsito e outros congestionamentos, câmeras em todos os lugares, desastres da natureza a todo tempo, pessoas nascendo cada vez mais estúpidas e um verdadeiro problema que eu particularmente vivo e alguns de vocês, quer dizer alguns, aqueles que moram na torre de babel estão isentos deste pequeno problema. Que é nada mais nada menos que: muriçocas.
Muriçocas são pequenos mosquitos do satanás que não vão deixar você descansar um minuto sequer. E por mais que você lute e busque soluções elas sempre irão voltar. Como aquele namorado chato que quando te encontra ou namorada no caso das mulheres é bem mais difícil, enfim, assim como estes dois, as muriçocas, ah eu odeio fazer essas comparações, quero engordar esse texto e fazer com que fique legal, mas, agora assim, esses bichos nós nunca saberemos como, mas, eles sempre vão voltar e fiquem certo: que serão longas horas que você passará de saco cheio até que finalmente eles morram.
Matando com as próprias mãos.
Primeiro. Táticas de guerra, saber onde o inimigo se esconde.
Segundo. Espremer-los contra parede não deixando ele escapar de seu território pois, ele pode denunciar sua posição.
Terceiro. Ter ótimos reflexos, sentir onde o inimigo vai beliscar, saiba, que sempre é nas pernas, nucas, costas e nos braços. Os mais safados, por baixo das saias, mas, até hoje não temos nenhuma ocorrência disto.
Tentativas de camuflagem.
Sentindo as mordidas vejo que é a hora de me camuflar, calças de pano, camisa de mangas, mesmo que eu esteja afim de dar uns amassos na patroa não há escapatória, tira a calça rapidinho e depois veste se não quiser levar picada na bunda em duplo sentido. A calça pode e tem que ser de pano não jeans não ser que você queria dormir já pronto pro trabalho.
Outra solução é procurar mexer o corpo pra que elas não pousem e nisso vale tudo, forró, axé, dançar o creu, pular, vale até simular síndromes de tourette ou parkson.
As vezes vasculho meus bolsos na esperança de achar ali perdido alguma nota, quando acho, não penso nem em terminar essa texto, corro pro supermercado, mercadinho, quitanda, bocada, qualquer lugar que venda baygon e mando uma rajada semelhante a cena de Rambo com sua metralhadora. Quando não tenho essa maravilha em minhas mãos vou com sentinela, mas, as muriçocas já adquiriram uma mascara de gás para evitar o cheiro da fumaça, isso não adianta nada, queimar aquela rodela verde que eu chamo de oiti de marciano por algumas horas, uma catinga de lascar, quando penso que vai ter resultado, está eu tomando nebolizador por causa da fumaça que causa asma. E os mosquitos comemoram – e isso companheiros e companheiras a causa é nobre e luta continua.
Achando falhas no campo de batalha.
Isso acontece comigo simplesmente porque vacilei, certamente só eu como o vizinho também que fez essa cagada, deixando a caixa d’água aberta, poças d’água, mato ou terreno baldio, tudo isso faz com que esse mosquito vindo do inferno nasça para por o terror no mundo.
Cessar fogo?
Certamente vou, pelo menos, por enquanto que eu estiver dormir ou for ver aquelas coisas no computador que só vejo quando a mulher dorme. É ai que elas atacam, no fraco do homem, nas canelas, nas costas. Ficam voando em cima da minha cabeça. E há aquelas que zombam quando se erra a mira da palma de mão, então quando começo a me irritar, elas passam voando dando risinhos bem no início do espaço sonoro do ouvido, ô barulho incomodante.
Por mais que limpe sempre a casa por mais que a preguiça seja um dos meus pecados favoritos, mantenho tudo limpo, mesmo assim sofro com a turma da Maga. Apelido esse que acabei arranjar. Porém quando ela esta gordinha de sangue fica doidona e nem levanta vôo. E ai que se deve pega-las.
Vingança com as próprias mãos
A danada fez o que fez comigo, esperou lá no teto eu chegar cansando do trabalho, tomar um banho o cheiro recém saído do banho é que a excita ainda mais, na hora que me sento, ponho um café pra ver as boas notícias do jornal, ela desce e chama a canbada, vai por baixo da mesa, pois, adora ser discreta, senta de leve no couro, que é pra não assustar e dá a primeira mordida da noite. Na intimidade a mesma coisa, no vuco-vuco dos corpos pegando fogo elas participam picando as costas, depois no sono profundo elas trabalham livremente.
Passaram a noite assim, na maior farra, quando amanhecem estão nas paredes, gordas de sangue e cansadas, então, é ai que você respira, ri, esquenta a mão e manda ver, é uma verdadeira chacina, eu simplesmente exponho minha alma selvagem e de carnificina. As que escapam, contam a história, as que não, ficam pregadas na parede para que as formigas façam o resto do trabalho, recolher seus corpos e enterrá-las nas mais profundas e desconhecidas cavernas aonde minha curiosidade sobre as formigas não acompanham.
Fim feliz?
Nada quem dera, se todas as muriçocas morrerem de uma só vez, eu estaria simplesmente satisfeito, haveria uma festa e feriado nacional, a rendição das muriçocas. Enquanto isso, vou ai, procurar dormir. E detalhe enquanto fiz esse texto matei cinco delas, mesmo com a raja de baygon, mesmo com os sentinelas acessos, e minhas palmadas, elas, ainda insistem, porque? Porque?
Soube que uma nova arma foi criada, uma raquete que dá choque e isso tem isso um grande avanço já que pode derrubar vários pelotões delas. Mas enquanto os novos recursos não chegam da capital, vou me camuflando como posso.
Ops... Acabei de matar a sexta muriçoca, quer dizer, a sétima, depois disso, não falo mais nada.
--
Aldemir Sukhu
09 fevereiro 2011
Escritor vs Muriçocas, parte II
Num sei o que há com as segundas-feira mas me sufoca o colarinho em ver que tive um dia tão monótono e não fiz nada que mudasse o giro do mundo. Apenas acordei atrasado, passei no trabalho, fui pro computador, andei pelo centro da cidade pra resolver pequenos terremotos, passei na casa da minha mãe que acompanha a Folha de Pernambuco o Bandeira 2 diariamente pra ver se não eu estou lá na página policial dado como morto, comei, falei besteiras, passei na casa da turma, algumas cervejas e a mesma ladainha de sempre: mulheres, despedidas, ônibus de volta pra casa, casa, sono, sonhos.
Antes de chegar perambulei calmamente mais temendo a assaltados ou sismas, nas ruas do centro da cidade, já tarde, os olhos tristes amarelados do postes guiando-me e minha sombra carregando os rascunhos do muro desaparecendo de tanta propaganda. Como mudei de endereço; quer dizer, mudei tudo em mim, barba, cabelo, endereço, jeito, idioma, atitude, olhos, beijo, sexo, mudei tudo de lugar para ver se meu habitar ganhava novos ares e está ganhando. Percebi que só mudar os moveis de lugar ou jogar algumas coisas que a casa fica mais limpa e espaçosa.
Chegando na casa nova os dois cachorros que moram comigo e mais um cara, me recepcionaram, antes, era uma família inteira, hoje são apenas dois cães fervendo de emoção dentro dessa casa vazia.
Brinquei um pouco com os dois e a preocupação já latejava – vai ser uma longa noite. Como sai de casa apenas levando um dúzia de calças, alguns livros e discos, três pares de sapato, um lençol, um relógio e uma mala. Não tinha como transportar mais nada, faltava uma coisa fundamental que era um ventilador e o resto de tudo o que possui nesta vida queimei no esquecimento da memória.
Noite alta, tento ler, o tédio cresce entre os campos mudos dessa quarto, o vazio, a solidão, o esquecimento e a falta de habito de visitar outras memórias.
Quando elas percebem que estou triste e muito de dentro mim, aproveitam a frágil e cega situação e se organizam pra fazer a festa na minha depressão. E tome mordida e tome tapa pra se derrubo seu ataque massivo. Caço muriçocas com os olhos, mas, apenas escuto os risinhos de suas minusculas asas. Assim foram as primeiras semanas nesta casa. Voava pela madrugada, pensamentos, diálogos comigo mesmo em voz alta e algumas poesias recitadas pra ninguém ouvir. Tentava matar o tempo seja lá como fosse. Mas eu só conseguia dormir às 6h da manhã, era à hora em que elas se cansavam e iam pra suas malocas. O sono durava muito pouco, apenas 1h. No domingo eu me apresentava com um aspecto cansando, olheiras como uma bacia d'águas nos meus olhos, bocejos, mais bocejos, a engrenagem da mente cada vez mais parando de circular. E as danadinhas já ansiosas para mais uma noite de inquietação e sangue.
Andei louco por dentro de casa, pois, não estava mais suportando o aperreio que as muriçocas me causavam, mosquitos do inferno, como fantasmas que atormentam as casas para que possam ter mais privacidade – como é que um homem bem dorme mal? Andando de um canto a outro e vigiado cada voo delas fiquei a perguntar isso varias vezes.
Mexendo nas coisas da minha nova residência encontrei num quarto abandonado um ventilador, triste, coberto de poeira, esquecido e mal tratado semelhante a mim nesse dia. Dei uma limpada e fui ver qual era seu problema. Detectei numa fração de segundos com o olho a fio que só eram alguns fios desencontrados. Nada que um estilete e uma fita isolante não resolva – enquanto isso as muriçocas já beiçavam minhas pernas – rezei pra tudo quanto é Santo pra que isso desse certo. Quando pluguei a tomada no interruptor. Nossa. Vu-ala. Gênio. Fabuloso. Funciona. Caros amigos e amigas, conhecidos e conhecidas, pessoas comuns e extraterrestres, futuras namoradas e inimigos de briga, confesso uma coisa a vocês. Eu nunca sentirá uma alegria tão insignificante como essa. É duro. Viver num país mediócre como esse onde somos abençoados por dificuldades. As minhas dificuldades são baseadas nessas histórias que há um bom tempo vocês leem ou não. Mas. Nunca realmente senti feliz em vê-lo ali girando e soprando flocos e mais flocos de poeira. Espelhei nesse objeto velho e esquecido e por causa de um problema ninguém o quis, mesmo assim, ele me mostra o quanto ele estar disposto a dar um minuto de sossego na minha vida já que tudo me incomoda.
Cai no colchão me lágrimas, chorei muito, durante uns 20 minutos e senti o vento empoeirado do ventilador sujo tanger minhas lágrimas, pra que não caíssem em mim, pude ir além do silêncio, da dor, da melancolia, do tédio e do mal humor, sentir abraçado por aquele eletrodoméstico funcionar a todo custo pra mim.
Depois disso comecei a zombar das muriçocas – olha bando porra, nunca mais vocês vão morder o negão aqui, olha, vão ficar com fome, vão ficar fome, vão ficar com fome – depois o ventilador deu um teco e fiquei logo preocupado pois, minha alegria sempre foi pouca, quando vi o danadinho estava só tentando esboçar um sorriso de satisfação em me servir e ficou num tec-tec-tec sempre quando terminava o curso da esquerda.
Fiquei deitado no escuro, coberto como um pacote, finalmente, paz. O ventilador foi me ninando. Até que adormeci como há muito tempo não fazia. O mais emocionante é que de manhã ele ainda estava lá.
--
Aldemir Sukho
***
Antes de chegar perambulei calmamente mais temendo a assaltados ou sismas, nas ruas do centro da cidade, já tarde, os olhos tristes amarelados do postes guiando-me e minha sombra carregando os rascunhos do muro desaparecendo de tanta propaganda. Como mudei de endereço; quer dizer, mudei tudo em mim, barba, cabelo, endereço, jeito, idioma, atitude, olhos, beijo, sexo, mudei tudo de lugar para ver se meu habitar ganhava novos ares e está ganhando. Percebi que só mudar os moveis de lugar ou jogar algumas coisas que a casa fica mais limpa e espaçosa.
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Chegando na casa nova os dois cachorros que moram comigo e mais um cara, me recepcionaram, antes, era uma família inteira, hoje são apenas dois cães fervendo de emoção dentro dessa casa vazia.
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Brinquei um pouco com os dois e a preocupação já latejava – vai ser uma longa noite. Como sai de casa apenas levando um dúzia de calças, alguns livros e discos, três pares de sapato, um lençol, um relógio e uma mala. Não tinha como transportar mais nada, faltava uma coisa fundamental que era um ventilador e o resto de tudo o que possui nesta vida queimei no esquecimento da memória.
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Noite alta, tento ler, o tédio cresce entre os campos mudos dessa quarto, o vazio, a solidão, o esquecimento e a falta de habito de visitar outras memórias.
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Quando elas percebem que estou triste e muito de dentro mim, aproveitam a frágil e cega situação e se organizam pra fazer a festa na minha depressão. E tome mordida e tome tapa pra se derrubo seu ataque massivo. Caço muriçocas com os olhos, mas, apenas escuto os risinhos de suas minusculas asas. Assim foram as primeiras semanas nesta casa. Voava pela madrugada, pensamentos, diálogos comigo mesmo em voz alta e algumas poesias recitadas pra ninguém ouvir. Tentava matar o tempo seja lá como fosse. Mas eu só conseguia dormir às 6h da manhã, era à hora em que elas se cansavam e iam pra suas malocas. O sono durava muito pouco, apenas 1h. No domingo eu me apresentava com um aspecto cansando, olheiras como uma bacia d'águas nos meus olhos, bocejos, mais bocejos, a engrenagem da mente cada vez mais parando de circular. E as danadinhas já ansiosas para mais uma noite de inquietação e sangue.
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Andei louco por dentro de casa, pois, não estava mais suportando o aperreio que as muriçocas me causavam, mosquitos do inferno, como fantasmas que atormentam as casas para que possam ter mais privacidade – como é que um homem bem dorme mal? Andando de um canto a outro e vigiado cada voo delas fiquei a perguntar isso varias vezes.
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Mexendo nas coisas da minha nova residência encontrei num quarto abandonado um ventilador, triste, coberto de poeira, esquecido e mal tratado semelhante a mim nesse dia. Dei uma limpada e fui ver qual era seu problema. Detectei numa fração de segundos com o olho a fio que só eram alguns fios desencontrados. Nada que um estilete e uma fita isolante não resolva – enquanto isso as muriçocas já beiçavam minhas pernas – rezei pra tudo quanto é Santo pra que isso desse certo. Quando pluguei a tomada no interruptor. Nossa. Vu-ala. Gênio. Fabuloso. Funciona. Caros amigos e amigas, conhecidos e conhecidas, pessoas comuns e extraterrestres, futuras namoradas e inimigos de briga, confesso uma coisa a vocês. Eu nunca sentirá uma alegria tão insignificante como essa. É duro. Viver num país mediócre como esse onde somos abençoados por dificuldades. As minhas dificuldades são baseadas nessas histórias que há um bom tempo vocês leem ou não. Mas. Nunca realmente senti feliz em vê-lo ali girando e soprando flocos e mais flocos de poeira. Espelhei nesse objeto velho e esquecido e por causa de um problema ninguém o quis, mesmo assim, ele me mostra o quanto ele estar disposto a dar um minuto de sossego na minha vida já que tudo me incomoda.
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Cai no colchão me lágrimas, chorei muito, durante uns 20 minutos e senti o vento empoeirado do ventilador sujo tanger minhas lágrimas, pra que não caíssem em mim, pude ir além do silêncio, da dor, da melancolia, do tédio e do mal humor, sentir abraçado por aquele eletrodoméstico funcionar a todo custo pra mim.
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Depois disso comecei a zombar das muriçocas – olha bando porra, nunca mais vocês vão morder o negão aqui, olha, vão ficar com fome, vão ficar fome, vão ficar com fome – depois o ventilador deu um teco e fiquei logo preocupado pois, minha alegria sempre foi pouca, quando vi o danadinho estava só tentando esboçar um sorriso de satisfação em me servir e ficou num tec-tec-tec sempre quando terminava o curso da esquerda.
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Fiquei deitado no escuro, coberto como um pacote, finalmente, paz. O ventilador foi me ninando. Até que adormeci como há muito tempo não fazia. O mais emocionante é que de manhã ele ainda estava lá.
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Aldemir Sukho
...
saudades sou e estou
mas se me perguntares
estou bem e sou eu
e não será mentira
não amanhã domingo
mas na segunda-feira
na terça de verdade
eu mais ou menos bem
e mais ou menos eu
se perguntares quarta
então estarei eu
e serei menos tu
no meio do caminho
de eu me encontrar de novo
quebrarei as lembranças
pedras não ficarão
mas cinzas de horas velhas
nuvem de pó ao vento
e se fomos felizes
não tivemos motivo
pois ainda serei
se não seremos mais
que faço com a esperança
de um dia ainda ser
se sou e estou saudades
se permanecerei
dois e dois serão quatro
mas todos nós sabemos
que dois e dois são cinco
mas talvez sejam três
Edmilson Madureira Segundo
[2011]
mas se me perguntares
estou bem e sou eu
e não será mentira
não amanhã domingo
mas na segunda-feira
na terça de verdade
eu mais ou menos bem
e mais ou menos eu
se perguntares quarta
então estarei eu
e serei menos tu
no meio do caminho
de eu me encontrar de novo
quebrarei as lembranças
pedras não ficarão
mas cinzas de horas velhas
nuvem de pó ao vento
e se fomos felizes
não tivemos motivo
pois ainda serei
se não seremos mais
que faço com a esperança
de um dia ainda ser
se sou e estou saudades
se permanecerei
dois e dois serão quatro
mas todos nós sabemos
que dois e dois são cinco
mas talvez sejam três
Edmilson Madureira Segundo
[2011]
06 fevereiro 2011
ORTOGRAFIA OFICIAL
Num país de problemas entre aspas
E frustrações com reticências,
É preciso munir-se com hífens
E idéias agudas,
Se proteger com vírgulas nos pés
E circunflexo na cabeça,
Para ver se conseguimos adiar um pouco
O nosso pontual final.
André P.
E frustrações com reticências,
É preciso munir-se com hífens
E idéias agudas,
Se proteger com vírgulas nos pés
E circunflexo na cabeça,
Para ver se conseguimos adiar um pouco
O nosso pontual final.
André P.
ELES SABEM
Um padre pobre acendeu a chama
Colocou-me diante os olhos da cidade,
Um frade, nem pôde, mas quis ganhar fama
“Meteu-me” atrás das grades.
O bispo nem quis conhecer o caso;
- Decapitado!
Agora é tarde,
O inferno os aguarde, na leis do cão-demônio
Serei vossa santidade.
[Geisiara Lima]
Colocou-me diante os olhos da cidade,
Um frade, nem pôde, mas quis ganhar fama
“Meteu-me” atrás das grades.
O bispo nem quis conhecer o caso;
- Decapitado!
Agora é tarde,
O inferno os aguarde, na leis do cão-demônio
Serei vossa santidade.
[Geisiara Lima]
Cartinha
Mamãe,
Tô doido que chegue
Logo o dia das mães
Pr’eu te dar aquele presente
Que você tanto deseja
Aqui tá tudo beleza
Como três vezes por dia
Escovo os dentes, tomo banho
E lavo atrás das orelhas
Diga a papai que estou vivo
Muito mais, sem ele perto
Trabalho de professor
Foi tudo que pude arranjar
O governo diz que pro ano
Nosso salário vai melhorar
Conheci uma moça direta
Já saímos pra jantar
Com sorte consigo
Uma casa da caixa
Caso e te dou um neto.
Marcelo Arruda
Tô doido que chegue
Logo o dia das mães
Pr’eu te dar aquele presente
Que você tanto deseja
Aqui tá tudo beleza
Como três vezes por dia
Escovo os dentes, tomo banho
E lavo atrás das orelhas
Diga a papai que estou vivo
Muito mais, sem ele perto
Trabalho de professor
Foi tudo que pude arranjar
O governo diz que pro ano
Nosso salário vai melhorar
Conheci uma moça direta
Já saímos pra jantar
Com sorte consigo
Uma casa da caixa
Caso e te dou um neto.
Marcelo Arruda
Último poema
Quando eu fechar os olhos
Nascerá uma estrela brilhante
No céu azul do horizonte
Que se apagará com o claro do dia
E retornará no próximo poema de despedida
Na próxima noite despida
Na próxima história re-escrita
Do próximo poeta da vida.
R.R.
Nascerá uma estrela brilhante
No céu azul do horizonte
Que se apagará com o claro do dia
E retornará no próximo poema de despedida
Na próxima noite despida
Na próxima história re-escrita
Do próximo poeta da vida.
R.R.
Ver(desmatas)
Madeira verde, cortada, seca.
Queimada.
Toras grossas, finas, roliças.
Empilhadas.
Raízes novas, antigas, em cima da terra.
Lançadas.
Covas, buracos, crateras das árvores.
Escorraçadas.
O verde das matas esmaece.
Desbota o sentimento do homem.
De amor pela terra carece.
Ingratas as emoções se somem.
Desnecessárias queimadas se acendem.
O céu da Terra escurece.
O céu da vida empobrece.
Almas verdejam em mar de esperança.
Dias virão, de verão. Verão.
O homem plantar no solo.
Sementes de novas árvores.
Plantar árvore no chão.
E amor no coração.
Sebastiana De Lourdes
Queimada.
Toras grossas, finas, roliças.
Empilhadas.
Raízes novas, antigas, em cima da terra.
Lançadas.
Covas, buracos, crateras das árvores.
Escorraçadas.
O verde das matas esmaece.
Desbota o sentimento do homem.
De amor pela terra carece.
Ingratas as emoções se somem.
Desnecessárias queimadas se acendem.
O céu da Terra escurece.
O céu da vida empobrece.
Almas verdejam em mar de esperança.
Dias virão, de verão. Verão.
O homem plantar no solo.
Sementes de novas árvores.
Plantar árvore no chão.
E amor no coração.
Sebastiana De Lourdes
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